Notícias

  • Três anos depois de vender Grupo Multi, Carlos 'Wizard' já tem novo império

    16/04/2017




    ECONOMIA
    Cátia Luz

    São Paulo - Há três anos, Carlos "Wizard" Martins surpreendeu o mercado ao anunciar a venda, por quase R$ 2 bilhões, do Grupo Multi, dono das escolas de inglês Wizard e da rede profissionalizante Microlins, à britânica Pearson. A operação, a maior aquisição em educação já feita no País até então, chamou a atenção não só pelo seu tamanho, mas também pelo "desapego" do fundador ao se desfazer de 100% de um negócio que, de tanto se identificar, acabou incorporando ao próprio nome - o empresário passou a assinar Wizard, em 1989, por sugestão de uma franqueada.

    Hoje, Wizard está longe da tranquilidade que o título de bilionário pode trazer. Após uma série de aquisições, comanda, ao lado dos filhos - os gêmeos Lincoln e Charles - um grupo quase do mesmo tamanho da antiga companhia. "Em 2018, a gente atinge os R$ 2 bilhões em valor", informa.

    A Sforza, empresa de private equity e family office da família, reúne negócios de diversos segmentos. "O que temos é um modelo de gestão de franquias, desenvolvido por 25 anos pela Multi, que agora está sendo aplicado na alimentação saudável, nas escolas de futebol ou no sistema de fast-food", explica.

    Apetite. O retorno ao mercado veio antes do esperado. O empresário, que tinha decidido tirar um ano sabático após o acordo com a Pearson, interrompeu o período para fechar a compra da Mundo Verde. A rede de produtos naturais, que pertencia ao fundo americano Axxon e tinha 250 unidades no País, tem hoje 400 lojas e cresce num ritmo de dois dígitos ao ano.

    Em seguida, o grupo anunciou, em parceria com o jogador Ronaldo fenômeno, a criação de uma franquia de escolas de futebol. A Ronaldo Academy nasceu com a perspectiva de ter unidades no Brasil e nos Estados Unidos. Mas a maior expansão até agora veio da China, onde um grupo de investidores, estimulados pelo interesse do governo chinês em desenvolver o esporte no país, fechou contrato para a abertura de 30 escolas. Dez já estão em operação, em cidades como Pequim e Xangai.

    No Brasil, de 35 contratos fechados, 15 franquias já estão funcionando. Nos EUA, a primeira escola começou a operar em janeiro. "Em franquia, o produto final é praticamente um detalhe. As dinâmicas, seja de uma sapataria ou de uma varejo de alimentos, são bem parecidas. A favor do grupo, pesa realmente esse modelo de implementação, monitoramento e gestão dos negócios criado por eles", afirma Marcelo Cherto, consultor especializado em franquias.

    Para completar o portfólio em esportes, o grupo comprou, no fim de 2015, as marcas Topper e Rainha. "São duas grandes marcas, mas que estavam abandonadas e representavam menos de 10% da receita da Alpargatas", explica Wizard. A ideia do empresário é oferecer os produtos das marcas nas escolas.

    "Cada empresa tem uma vocação. Mundo Verde e Taco Bell (fast food inspirada em comida mexicana) são mais voltadas para a geração de dividendos. A BR Sports (holding que detém Topper e Rainha) é uma operação em que investimos no crescimento para capturar um valor maior mais para frente", diz Charles Martins, responsável pela avaliação de novos negócios da Sforza.

    Pré-pago. Embora a franquia seja encarada pela família como a vocação do grupo, é uma startup especializada na emissão de cartões pré-pagos que tem se destacado nos negócios da Sforza. Criada em 2012 com o nome de Vale Presente e voltada principalmente para os gift cards (cartões pré-pagos usados para presentear), a empresa, que agora se chama Hub Prepaid, acabou ampliando sua atuação e hoje atende varejistas e governo.

    A startup é responsável, por exemplo, pela lista de casamentos do Magazine Luiza e é o principal parceiro da Caixa Econômica Federal em alguns projetos, como o cartão Construcard (de financiamento para aquisição de material de construção) e o cartão BNDES (de crédito para empresas).

    A Hub Prepaid chegou a ser alvo do interesse da própria Caixa, que fechou um acordo em 2014 para comprar 49% da companhia. Mas o negócio não foi adiante. Segundo Charles Martins, há agora outras propostas de compra, de fundos de investimento e de bandeiras de cartão.

    Hoje a empresa, avaliada em R$ 1 bilhão, representa 50% dos negócios do grupo, de acordo com o executivo. Wizard diz que a companhia movimentou R$ 2 bilhões em 2016 e vem dobrando de tamanho a cada ano.

    No mercado, há quem ache o valor atribuído à empresa otimista demais, mas ninguém nega o potencial do segmento. "Hoje, metade da população brasileira recebe seu salário em dinheiro. Com um nível ainda muito baixo de bancarização, há muito espaço para avanço de meios de pagamentos", afirma um concorrente.

    O setor de cartões tem atuado em três frentes: pessoas físicas (que compram o cartão para pagar diaristas ou a mesada do filho), empresas (principalmente as que têm mão de obra temporária, caso da construção civil) e governo.

    "A Hub Prepaid tem a vantagem competitiva de ter chegado antes no atendimento ao governo e o diferencial de ter uma estrutura verticalizada, o que dá mais eficiência à operação da empresa", diz uma fonte do mercado. No caso da empresa de Wizard, todo o processo - emissão e impressão dos cartões, administração financeira, autorização e processamento das transações - é feito dentro de casa, um edifício em Alphaville, com 200 funcionários e cara de banco.

    Hoje, segundo cálculos genéricos feitos por rivais, o mercado de pré-pagos deve movimentar por ano R$ 10 bilhões.

    Planos. Além da Hub Prepaid, a Sforza tem ainda a Orion, detentora da administração imobiliária do grupo, e uma participação na Logbrás, que investe em galpões logísticos. Com casa no Brasil e em Miami, e aulas diárias de mandarim, Wizard não tira os olhos de novos negócios. E admite a vontade de voltar ao setor de ensino - o prazo determinado pela cláusula de não competição, assinada com a Pearson, terminou no mês passado. "Eu sou um investidor. E acho que, no caso de educação, a oportunidade vai surgir sem eu precisar ir atrás", afirma. "Acho que vão bater à nossa porta, porque construímos uma reputação nesse setor."

    Questionado sobre a motivação de investir diante da crise que o País enfrenta, o fundador da Wizard diz que tem visão de médio e longo prazo e não pensa em governo. "A Wizard nasceu no mandato de José Sarney, com Plano Cruzado, inflação de 70% ao mês e moedas que mudavam a cada seis meses. Se fosse me preocupar com o governo, nunca teria começado." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Filtre Por

Buscar: OK
  • Padilha: reforma da Previdência não saiu de pauta e serão cumpridos os prazos

    23/05/2017




    ECONOMIA
    Carla Araujo e Tania Monteiro

    Brasília - Em meio a grave crise política que atinge o presidente Michel Temer, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, reforçou nesta terça-feira, 23, que o governo segue trabalhando e tem confiança de que a reforma da Previdência seguirá tramitando na Câmara. "A reforma da Previdência não saiu de pauta e serão cumpridos os prazos definidos pelo Congresso", disse.

    Na segunda-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou que a reforma da Previdência começará a ser votada no plenário da Casa entre os dias 5 e 12 de junho.

    Antes da delação do executivo da JBS, Joesley Batista vir a tona e causar uma das mais graves crises do governo Temer, entretanto, a previsão inicial era de que a reforma poderia ser apreciada nesta semana na Casa. Por se tratar de uma mudança na Constituição, a proposta precisa passar por duas votações no plenário e, para ser aprovada, precisa de pelo menos 308 votos favoráveis.

    O governo tenta, como reação à crise, mostrar que segue trabalhando e quer que o Congresso aprecie medidas provisórias entre hoje e amanhã para dar ares de normalidade à gestão.

    Prisão

    Nesta terça, o governo foi atingido por mais uma crise, com a prisão do assessor especial do gabinete pessoal do presidente da República, Tadeu Filippelli (PMDB), por conta de investigações de fraudes e desvio de recursos das obras de reforma do Estádio Nacional Mané Garrincha para a Copa do Mundo de Futebol de 2014. Além de decidir exonerar o assessor, no Planalto, assessores do presidente tentam explicar que o motivo da prisão de Filippelli tem a ver com atos ocorridos antes de ele ter chegado ao Planalto, quando era do Governo do Distrito Federal.

    Filippelli tinha um gabinete no terceiro andar no Palácio do Planalto, a poucos metros do presidente Temer.

    Ele é o terceiro assessor de Temer a ser derrubado. Antes dele, José Yunes e Rodrigo Rocha Loures acabaram afetados por denúncias.

  • Disputa política pelo poder não pode atrapalhar recuperação do Brasil, diz Abdib

    23/05/2017




    ECONOMIA
    Aline Bronzati, Altamiro Silva Júnior, Francisco Carlos de Assis e Victor Alves

    São Paulo - O presidente do conselho de administração da Associação Brasileira das Indústrias da Construção Pesada e de Base (Abdib), Gilberto Peralta, afirmou que o Brasil precisa virar a página das reformas e não pode aceitar que a disputa política pelo poder atrapalhe seu trajeto de recuperação econômica. "Temos necessidade urgente de manter ações econômicas do governo e finalizar a pauta de reforma e ajustes nas contas públicas para começar uma nova agenda", disse ele, durante discurso de abertura, em seminário sobre financiamento e garantias para a infraestrutura.

    De acordo com Peralta, não faltam recursos para o setor de infraestrutura, mas projetos que precisam ser bem selecionados. Citou ainda a importância da participação dos bancos públicos e dos fundos de private equity (que compram participações em empresas).

    "Temos o desafio de elevar o investimento em infraestrutura para 5% do Produto Interno Bruto (PIB)", afirmou ele. "O Brasil precisa investir R$ 300 bilhões em infraestrutura por ano por uma década. Esse é o tamanho do nosso desafio."

    O presidente da Abdib ressaltou ainda a dificuldade financeira que atinge algumas empresas do setor. "O setor privado assumirá o protagonismo dos investimentos", disse ele, citando que há US$ 3 trilhões no mundo aplicados em juros negativos nos países desenvolvidos e parte do dinheiro pode vir para o Brasil.

  • Audiência da reforma trabalhista já dura 4 horas; relator apresentará relatório

    23/05/2017




    ECONOMIA
    Fernando Nakagawa

    Brasília - Já dura mais de quatro horas a audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para debater a reforma trabalhista. Neste momento, senadores e convidados participam de uma sessão de perguntas e respostas sobre o tema. Após o debate, há previsão de que o relatório da reforma será apresentado pelo relator. Há 26 senadores na sessão e apenas cinco fizeram perguntas até 12h20.

    Durante as perguntas, o relator da reforma, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), disse que não aceitará "qualquer tipo de patrulhamento" sobre a sua atuação".

    "Estou pronto para apresentar o relatório e não vou aceitar patrulhamento, principalmente daqueles que mergulharam o País na crise", disse Ferraço, que promete apresentar o relatório após o debate. A frase de Ferraço gerou reação de senadores da oposição que o acusaram de ignorar a grave crise política.

    Participam da audiência sobre a reforma, o professor da Unicamp e presidente da Fundação Perseu Abramo, Márcio Pochmann; o professor da Escola de Economia de São Paulo da FGV, André Portela; o professor da Unicamp, Eduardo Fagnani; e o professor do Insper, Sérgio Pinheiro Firpo.

  • BNDES está líquido e de portas abertas para infraestrutura, diz Dyogo

    23/05/2017




    ECONOMIA
    Altamiro Silva Junior, Francisco Carlos de Assis, Aline Bronzati e Victor Aguiar

    São Paulo - O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou nesta terça-feira, 23, que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está líquido e com recursos em caixa para financiar projeto em infraestrutura. "Está de portas abertas", afirmou em palestra de abertura de evento do Associação Brasileira da Indústria de Construção de Base (Abdib) em São Paulo.

    Oliveira falou da intenção do governo de aumentar o financiamento privado na economia, mas afirmou que isso será gradual. "O BNDES e os bancos públicos estão orientados a financiar o setor privado. Não vamos fazer uma transição abrupta", disse ele.

    Ainda sobre o BNDES, o ministro afirmou que o banco está adotando uma série de ações para agilizar os projetos. Oliveira ressaltou que será uma "transição assistida" e o governo pretende criar produtos próprios para esse processo. "Estamos desenvolvendo diversos instrumentos."

    O ministro afirmou logo no início de sua apresentação que o governo está implementando "amplo processo" de ajustamento da economia brasileira, que se baseia em maior transparência e na clareza fiscal.

    "O Brasil está gastando com previdência 13,1% do PIB. Isso é comparável a países como França, Alemanha", disse o ministro. Segundo ele, a reforma da Previdência é que vai permitir que se abra mais espaço para o governo poder olhar para outras despesas.

    Oliveira disse que é preciso triplicar o investimento em infraestrutura, mas para isso é preciso resolver primeiro o problema fiscal. "A estratégia do governo é ampliar participação do setor privado na infraestrutura", disse ele.

    ABGF

    A Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF) está desenvolvendo produtos para reduzir o risco cambial dos projetos de infraestrutura, principalmente para setor de rodovias, de acordo com Dyogo Oliveira. São soluções, conforme ele, diferentes da desenvolvida para os leilões de aeroportos, cujo risco cambial foi minimizado com a outorga, que serviu como um colchão na questão do hedge.

    "A ABGF está avançando rapidamente. Estamos desenvolvendo outros produtos que serão colocados para setor que não haja outorga, como rodovias, o principal deles", disse o ministro, durante o evento da Abdib.

  • Estoque de operações do Tesouro Direto chega a R$ 44,6 bi em abril

    23/05/2017




    ECONOMIA
    Eduardo Rodrigues

    Brasília - O estoque do programa Tesouro Direto chegou a R$ 44,6 bilhões em abril, novo patamar recorde para a modalidade de investimento, de acordo com balanço divulgado nesta terça-feira, 23, pelo Tesouro Nacional. O resultado equivale a um crescimento de 2,2% em relação a março deste ano (R$ 43,6 bilhões) e de 45,9% ante abril de 2016 (R$ 30,5 bilhões).

    No mês passado, as aplicações no programa chegaram a R$ 1,491 bilhão. Já os resgates em abril totalizaram R$ 871,4 milhões, sendo R$ 870,7 milhões em recompras e R$ 700 mil em vencimentos de títulos.

    Os papéis com maior demanda foram os atrelados à inflação, que responderam por 46% das vendas no mês. Em seguida, apareceram os títulos indexados à Selic (36,6%) e os prefixados (17,4%). O valor médio por operação foi de R$ 13.602,59, mas 67% das compras tiveram valor de até R$ 5 mil.

    Em abril, o Tesouro Direto registrou 44.389 novos investidores cadastrados, chegando a um total de 1,366 milhão de participantes inscritos - alta de 85,2% nos últimos 12 meses. Já o acréscimo de investidores ativos no mês foi de 14.606, chegando a um total de 476.141 participantes com aplicações no programa.

  • Aneel aprova ajuste tarifário anual da Cemig, com redução média de 10,66%

    23/05/2017




    ECONOMIA
    Eduardo Rodrigues

    Brasília - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira, 23, o ajuste tarifário anual da Cemig, com uma redução média de 10,66% nas contas de luz.

    Para as unidades ligadas na alta tensão, como indústrias, a queda nas tarifas será de 21,04%. Para os consumidores de baixa tensão, como comércio e residências, a redução será de 5,82%.

    "O reajuste da Cemig segue a trajetória das empresas localizadas no Sul e no Sudeste, com a diminuição da cota da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) neste ano", explicou o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino. "Está havendo na média do conjunto dos consumidores uma redução média significativa das tarifas da Cemig", completou.

    As novas tarifas para os 8,2 milhões de unidades consumidoras da empresa em Minas Gerais entram no 28 deste mês.

  • Esforço feito na área econômica não pode ser perdido, avalia Febraban

    23/05/2017




    ECONOMIA
    Aline Bronzati, Altamiro Silva Júnior, Francisco Carlos de Assis e Victor Alves

    São Paulo - O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, admitiu que o Brasil enfrenta um momento político difícil. Destacou, contudo, que o esforço feito na área econômica não pode ser perdido, durante evento da Associação Brasileira das Indústrias da Construção Pesada e de Base (Abdib) sobre infraestrutura.

    "Temos um momento político difícil, mas não podemos permitir que todo esforço feito na área econômica seja perdido", disse Portugal. O esforço para aprovar as reformas devem ser mantidos, incluindo a da Previdência. "Elas já eram necessárias antes e continuarão a ser necessárias", acrescentou.

    De acordo com Portugal, o Congresso Nacional prestaria serviço relevante ao País, se não paralisasse as reformas.

    Juros

    O presidente da Febraban espera que a queda dos juros seja mantida no Brasil a despeito do aumento das incertezas políticas. De acordo com ele, não fosse o crédito subsidiado, que representa mais da metade do total de empréstimos no País, o Banco Central poderia praticar uma Selic ainda menor.

    "A queda da inflação contribuiu muito para a queda dos juros. Esperamos que essa trajetória de queda da Selic continue, apesar do aumento das incertezas políticas", disse Portugal.

    Teto de gastos

    De acordo com o presidente da Febraban, o teto de gastos será essencial para que o Brasil mantenha uma trajetória sustentável para a dívida pública e é preciso prosseguir com os ajustes. Portugal ressaltou que a economia voltou a crescer no primeiro trimestre e, se esse crescimento for mantido, vai significar o fim da recessão.

    Infraestrutura

    Portugal afirmou ainda que o Brasil tem déficit em infraestrutura e mesmo assim investe pouco no segmento. "Aumentar o investimento é essencial para atacar o problema da baixa taxa de crescimento", afirmou ele, acrescentando que os desafios para investimento em infraestrutura decorrem de problemas estruturais e que o governo do presidente Michel Temer vem corrigindo via reformas macro e setoriais.

    Ele disse que há demanda reprimida em praticamente todas as áreas da infraestrutura. "Portos e aeroportos estão sobrecarregados", disse ele, ressaltando que isso compromete a produtividade do Brasil. O executivo falou que parte do problema está relacionado à dificuldade de se financiar a infraestrutura no Brasil, país que tem baixa poupança e histórico de inflação alta e volátil, além de taxas de juros elevadas.

    No setor privado, o principal papel de financiamento da infraestrutura caberá ao mercado de capitais, conforme o presidente da Febraban. Portugal citou um estudo em que tanto nos Estados Unidos, como na Europa as duas principais fontes de financiamento são os lucros retidos das empresas e o governo. Na Europa, o setor bancário responde por 25% do financiamento de longo prazo e o mercado de capitais com 15%. "Aqui no Brasil, penso que o melhor modelo seja o americano, onde o papel preponderante é do mercado de capitais", afirmou ele.

  • Dívida externa estimada é de US$ 319,664 bilhões em abril, diz BC

    23/05/2017




    ECONOMIA
    Fabrício de Castro e Lorenna Rodrigues

    Brasília - A estimativa do Banco Central para a dívida externa brasileira em abril é de US$ 319,664 bilhões. Segundo a instituição, o ano de 2016 terminou com uma dívida de US$ 321,297 bilhões.

    A dívida externa de longo prazo atingiu US$ 263,178 bilhões em abril, enquanto o estoque de curto prazo ficou em US$ 56,486 bilhões no fim do mês passado, segundo as estimativas do BC.

    De acordo com a instituição, merecem destaques na dívida externa de longo prazo no ano as amortizações em títulos soberanos (US$ 1,2 bilhão), os desembolsos líquidos de títulos emitidos pelo setor financeiro (US$ 1,2 bilhão), as amortizações em empréstimos (US$ 3,6 bilhões) e as amortizações em títulos (US$ 1,2 bilhão).

    Contribuíram para elevar o estoque de endividamento externo a variação cambial, de US$ 727 milhões, e os preços de títulos soberanos, de US$ 2,2 bilhões.

  • 'Se demorar, podemos voltar para a recessão', diz Mendonça de Barros

    23/05/2017




    ECONOMIA
    Márcia De Chiara

    São Paulo - O economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados, está preocupado com o desfecho da crise política e os impactos sobre a economia, que esboçava sinais de recuperação. Dependendo do encaminhamento político, segundo ele, um trimestre terá sido perdido, na melhor da hipóteses, se as reformas forem retomadas pelo sucessor do presidente Michel Temer. Mas ele não descarta um quadro pior, sem reformas. "Nunca foi tão óbvio o risco e o custo de voltarmos ao pântano", alerta. A seguir, trechos da entrevista.

    O que precisa ser feito para superar a crise política que paralisou a economia?

    Na nossa avaliação, o presidente Temer perdeu totalmente a condição de governabilidade. Ele tem de sair, mas a Constituição tem de ser cumprida. Vale dizer: tem de haver uma eleição indireta no Congresso. Independentemente do tempo, o mais relevante é a ideia de qual será a saída dessa eleição.

    Como assim?

    Podemos ter uma pessoa eleita com condições de governabilidade, de reagrupar a base política e trazer de volta as reformas. Se isso acontecer, nós teríamos perdido um trimestre e eventualmente voltaríamos a ter possibilidade de recuperar uma trajetória de crescimento para o ano que vem, menor do que projetávamos, mas com alguma expressão. Aí conseguiremos sair do buraco.

    Qual seria a alternativa?

    Se for eleito alguém mais fraco politicamente ou, por características pessoais, que não tenha condições de retomar a agenda de reformas e de crescimento, aí haverá o problema que todo mundo teme: uma "sarneyrização". Seria um horror. Tudo ficaria parado até a próxima eleição.

    Com que cenário o sr. está trabalhando?

    Temos de aguardar. Hoje, não consigo associar probabilidades nem fazer projeções.

    Qual será o custo dessa crise política para a economia?

    O menor custo que teremos é o de um trimestre perdido, como já citei, se for escolhido alguém com o mínimo de condições políticas. Assim, voltaríamos a crescer no ano que vem e, desta forma, sairíamos de vez da recessão. Tecnicamente, já saímos da recessão: todo mundo concorda que o primeiro trimestre teve crescimento positivo do Produto Interno Bruto (PIB). Isso é o mais razoável que se pode dizer. A interrupção da recuperação já é um dano considerável, dependendo da velocidade da solução política. A velocidade com que será feita a sucessão será a chave para a saída da crise econômica.

    Como o outro cenário aventado, de um sucessor que não retome a agenda de reformas, voltaríamos à recessão?

    Se demorar muito, por questões políticas e jurídicas, para escolher o sucessor, e se o sucessor for alguém frágil ou sem comprometimento com a agenda de reformas, podemos voltar para recessão. E o custo será enorme para o País como um todo. Aí vamos ficar marcando passo até a eleição de 2018, o que seria bem complicado. Isso poderia gerar uma paralisia na economia. Não acho que vá afundar tudo de novo porque um pouco dessa melhora da economia é cíclica, como a substituição de uma máquina ou o enxugamento de estoques em alguns setores. Mas nunca foi tão óbvio o risco e o custo de voltarmos ao pântano. No fundo, o custo pode ser a gente não conseguir sair da recessão e eventualmente voltarmos a ela. Existe um risco enorme de ter um custo mais elevado. Hoje, acho uma ousadia associar a probabilidade a esses cenários. Podemos caminhar para uma solução decente ou para uma coisa muito complicada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • Ferraço mantém previsão de ler relatório da reforma trabalhista na CAE

    23/05/2017




    ECONOMIA
    Fernando Nakagawa

    Brasília - Apesar da crise política, a proposta de reforma trabalhista deve ter o relatório apresentado ainda nesta terça-feira, 23, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. A previsão foi mantida pelo relator do texto, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que confirmou a mudança em alguns pontos do projeto aprovado na Câmara.

    Mais cedo, a oposição tentou obstruir sessão da CAE, mas a ação não conseguiu interromper o debate que acontece no período da manhã.

    Ao chegar à audiência pública da CAE sobre a reforma trabalhista, o senador capixaba manteve a previsão anunciada na segunda-feira de que o relatório será apresentado ainda nesta terça em sessão deliberativa programada para ocorrer após a audiência que começou logo depois das 9 horas.

    Aos jornalistas, Ferraço confirmou que o relatório terá a sugestão de alteração de alguns pontos do texto aprovado pelos deputados. As mudanças farão parte apenas do relatório e não haverá alteração do texto para evitar o retorno do projeto à Câmara. As alterações e a estratégia de usar o relatório foram antecipadas pelo Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) em 11 de maio.

    Entre os pontos que serão alterados, Ferraço confirmou a proibição do trabalho em local insalubre de grávidas ou lactantes. Outra alteração é a sugestão de que a jornada de trabalho de 12 horas com 36 horas de folga seja apenas permitida por acordos coletivos - e não por acordos individuais.

    O senador capixaba também propõe no relatório o veto à jornada intermitente com a sugestão de regulação através de Medida Provisória. "A MP terá critérios e restringirá contrato intermitente a algumas atividades econômicas que tenham maior identidade com esse tipo de atividade", disse. "A jornada intermitente não pode ser uma regra. Tem de ser uma exceção", completou.

    O texto também mantém a previsão de descanso de 15 minutos para a mulher antes do início da hora extra. O descanso havia sido retirado do projeto da Câmara.