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  • Serviços prestados a empresas puxaram queda no setor em julho, diz IBGE

    13/09/2017




    ECONOMIA
    Daniela Amorim

    Rio - Os serviços prestados a empresas puxaram a queda de 3,2% no volume de serviços prestados no País em julho, em relação ao mesmo mês de 2016. Os segmentos de transportes e serviços prestados às famílias, porém, impediram uma perda maior. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    O segmento de Transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio cresceu 3,0%, enquanto os Serviços prestados às famílias avançaram 1,5% em julho ante julho de 2016.

    Segundo Roberto Saldanha, analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, a redução na taxa de desemprego, a inflação mais baixa e o saque das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) impulsionaram os gastos com os serviços prestados às famílias. No caso dos transportes e armazenagem, houve ajuda da safra recorde e do aumento das exportações de produtos agrícolas e industriais.

    Na direção oposta, houve recuos em julho em Outros serviços (-11,6%); Serviços profissionais, administrativos e complementares (-7,8%) e Serviços de informação e comunicação (-4,1%). O agregado especial das Atividades turísticas recuou 5,0% ante julho de 2016.

    Em termos de composição da taxa, a redução de 3,2% no volume global de serviços prestados teve contribuições positivas de Transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio (0,8 ponto porcentual) e dos Serviços prestados às famílias (0,1 ponto porcentual), mas negativas dos Serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,9 ponto porcentual); Serviços de informação e comunicação (-1,4 ponto porcentual) e Outros serviços (-0,8 ponto porcentual).

    "O setor de serviços não está ainda apresentando recuperação. Quando essas taxas negativas mês contra mesmo mês do ano anterior estiverem próximas de zero ou positivas, a gente pode afirmar que está havendo recuperação. Por enquanto os serviços não reagiram ainda. A taxa acumulada em 12 meses dos serviços estacionou, isso evidencia que o setor não está recuperando", avaliou Saldanha.

    O volume de serviços prestados acumulou uma queda de 4,6% nos 12 meses encerrados em julho.

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  • Demanda do consumidor por crédito cresce 5,3% em janeiro, diz Serasa

    19/02/2018




    ECONOMIA
    Karla Spotorno

    São Paulo - A quantidade de pessoas que buscou crédito em janeiro cresceu 5,3% ante dezembro. Em relação ao primeiro mês do ano passado, o avanço foi muito maior: 20,3%. É o que mostra levantamento da Serasa Experian divulgado nesta segunda-feira, 19.

    O aumento da procura por crédito em janeiro aconteceu em todas as classes de renda, segundo a pesquisa. Entre as diferentes faixas de remuneração, o maior crescimento porcentual aconteceu entre os que recebem mensalmente mais de R$ 10.000 (+6,4%).

    De acordo com os economistas da Serasa Experian, o "recuo das taxas de juros com a expansão da oferta de crédito ao consumidor, aliado à melhora gradual do mercado de trabalho e à queda da inadimplência", impulsionaram a busca do consumidor por algum tipo de empréstimo.

    A maior demanda foi observada em todas as regiões do País. No Centro-Oeste, a alta foi de 7,4% em relação a dezembro/17. No Sul, ficou em 6,3%. No Sudeste, o avanço foi de 6,0%. Já no Norte e Nordeste, o crescimento foi de 4,4% e de 1,9%, respectivamente.

    O Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito é construído a partir de uma amostra de CPFs, consultados mensalmente na base de dados da empresa.

  • Parcela de cheques devolvidos cai a 1,92% em janeiro, diz Boa Vista SCPC

    19/02/2018




    ECONOMIA
    Karla Spotorno

    São Paulo - A parcela de cheques devolvidos (segunda devolução por falta de fundos) em relação ao total de cheques movimentados em janeiro deste ano ficou em 1,92%, aponta a Boa Vista SCPC. O número representa uma queda de 0,15 ponto porcentual em relação aos 2,07% registrados no primeiro mês de 2017.

    Na comparação com dezembro do ano passado, o porcentual não teve alteração. Em termos absolutos, 775.012 cheques foram devolvidos em janeiro. No mês retrasado, foram 769.175.

    O indicador da Boa Vista SCPC é uma proporção do número de cheques que retornaram ao pagador pela segunda vez por insuficiência de recursos sobre o total de movimentados, que é o total de compensados somados aos devolvidos.

  • Discussões com controladores da Fibria são muito preliminares, diz Suzano

    19/02/2018




    NOTICIA,
    Karin Sato

    São Paulo - Assim como ocorreu com a Fibria, a Suzano também foi questionada pela B3 sobre a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, segundo a qual as duas gigantes do setor de papel e celulose teriam voltado a discutir possível fusão. A Suzano explicou que recentemente foram estabelecidas discussões muito preliminares com representantes dos controladores da Fibria sobre possível negócio envolvendo as empresas, em documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Disse ainda que não há definição de formato ou estrutura. "A companhia permanentemente avalia oportunidades que possam gerar valor para os seus acionistas e para o seu negócio", explicou a Suzano. "Nada obstante, não há nenhum fato ou evento a ser divulgado neste momento. A companhia informa que consultou seus acionistas controladores, que também confirmaram não haver nenhum fato ou evento a ser divulgado neste momento", acrescentou a empresa. Mais cedo, em comunicado ao mercado, a Fibria relatou que havia questionado seus acionistas controladores - Votorantim e BNDES Participações (BNDESPar) - sobre o assunto e, em resposta, eles confirmaram que foram procurados por representantes da Suzano, com o objetivo de discutir alternativas estratégicas. Segundo a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo veiculada na semana passada, a Suzano procurou a Fibria para discutir a possibilidade de combinar ativos ou até mesmo propor uma aquisição. As conversas estariam em andamento, mas ainda não existiria uma proposta oficial na mesa. A entrada da Paper Excellence (PE) no Brasil teria levado os controladores da Suzano a voltar a pensar em uma associação com sua maior concorrente brasileira. As fontes relataram que as conversas tiveram início há cerca de três meses.

  • Fibria confirma conversas com Suzano sobre alternativas estratégicas

    19/02/2018




    NOTICIA,
    Karin Sato

    São Paulo - A Fibria Celulose questionou seus acionistas controladores - Votorantim e BNDES Participações (BNDESPar) - solicitando esclarecimentos acerca da notícia do jornal O Estado de S. Paulo, segundo a qual a empresa e a sua concorrente Suzano teriam voltado a discutir possível fusão. Em resposta, esses acionistas confirmaram que foram procurados por representantes da Suzano, com o objetivo de discutir alternativas estratégicas. "Cientes da nossa responsabilidade frente à legislação e à regulamentação aplicável, comunicaremos tempestivamente, se houver, eventuais desdobramentos relevantes do assunto em questão", acrescentaram os acionistas controladores. A Fibria havia sido questionada sobre a notícia do jornal pela B3 - Brasil, Bolsa, Balcão. A empresa reafirmou seu compromisso de cumprir fielmente com sua obrigação de divulgação de informações a seus acionistas, investidores e ao mercado em geral. Segundo a reportagem, veiculada na semana passada, a Suzano procurou a Fibria para discutir a possibilidade de combinar ativos ou até mesmo propor uma aquisição. As conversas estariam em andamento, mas ainda não existiria uma proposta oficial na mesa. A entrada da Paper Excellence (PE) no Brasil teria levado os controladores da Suzano a voltar a pensar em uma associação com sua maior concorrente brasileira. As fontes relataram que as conversas tiveram início há cerca de três meses.

  • Nível de emprego na indústria cai 0,04% em janeiro ante dezembro, diz Fiesp

    19/02/2018




    ECONOMIA
    Karla Spotorno

    São Paulo - O nível de emprego na indústria paulista ficou praticamente estável ao registrar um recuo de 0,04% em janeiro ante dezembro, na série com ajuste sazonal. O dado foi divulgado nesta segunda-feira, 19, pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). No mês, a geração de vagas ficou positiva em 10,5 mil postos de trabalho.

    Apesar de exibir uma variação porcentual negativa na série com ajuste sazonal, o resultado em janeiro foi destacado pela Fiesp como o melhor para meses de janeiro desde 2012. Segundo o Depecon, a média de contratações no primeiro mês do ano no período entre 2005 e 2017 foi de 2.800 postos abertos.

    Na avaliação sem ajuste sazonal, foi apurado um avanço em janeiro de 0,50% em relação a dezembro. Já em relação a janeiro do ano passado, a Fiesp evidenciou uma queda de 1,44% por conta da destruição de 31 mil postos de trabalho.

    Ainda que a comparação com janeiro de 2017 exiba um resultado absoluto negativo, a direção da Fiesp sustenta que a pesquisa mostra a retomada da indústria paulista.

    "O desempenho de janeiro demonstra a consistência do processo de crescimento da economia", afirma o segundo vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, em nota à imprensa. "O emprego no setor manufatureiro tem mostrado resultados acima da média de forma consistente, seguindo o aumento de produção registrado pela indústria paulista no ano de 2017, que foi de 3,4%", escreve Coelho.

    Setores

    Mais da metade dos 22 setores acompanhados pelo indicador da Fiesp apresentou desempenho positivo. Entre os 16 setores que registraram aumento no número de postos de trabalho, a Fiesp destacou os ramos de veículos automotores, reboques e carrocerias (mais 2.939 postos), confecção de artigos do vestuário e acessórios (2.123) e produtos de minerais não metálicos (1.426).

    Os piores resultados foram dos setores industriais de produtos químicos (694 demissões), produtos de madeira (-273) e impressão e reprodução de gravações (-155).

    Na análise por grandes regiões, a Fiesp verificou crescimento no número de vagas na região de São João da Boa Vista (+3,01%), na de Mogi das Cruzes (+2,42%) e Araraquara (+2,07%).

    Já as regiões que tiveram redução no número de postos de trabalho, a federação destacou o desempenho nas regiões de Jaú (-1,70%), Jacareí (-1,34%) e Limeira (-0,90%).

  • Professores de São Paulo realizam ato contra reforma da Previdência

    19/02/2018




    ECONOMIA
    Marcelo Osakabe

    São Paulo - O sindicato municipal dos professores de São Paulo (Simpeem) realiza nesta segunda-feira, 19, uma manifestação contra a reforma da Previdência na capital paulista. O ato, deve ocorrer no viaduto do Chá, próximo à sede da prefeitura, às 14 horas.

    Os professores também vão protestar contra o projeto de reforma da Previdência municipal da cidade.

    À coluna da jornalista Sonia Racy, do jornal O Estado de S. Paulo, o secretário da Fazenda da capital, Caio Megale, afirmou que o projeto prevê um aumento na alíquota normal de contribuição previdenciária dos servidores dos atuais 11% para 14%, além de uma alíquota suplementar e progressiva da qual estará isento quem recebe até R$ 1.130, mas que chega a 5% para os que receberem acima dos R$ 5.600.

    O projeto, que afeta tanto os funcionários ativos quanto os inativos, está na Câmara Municipal.

  • SP: protestos contra Previdência fecham estradas e paralisam terminais de ônibus

    19/02/2018




    ECONOMIA
    Ana Paula Niederauer e Ricardo Rossetto

    São Paulo - As principais centrais sindicais do País convocaram para esta segunda-feira, 19, um dia de paralisações em todo o País para protestar contra a reforma da Previdência. Em São Paulo, durante a manhã, manifestantes da CUT e CTB fecharam trechos das rodovias Regis Bittencourt, no Km 274, e Dutra, no Km 214. Às 8h, a Polícia Militar liberou a pista.

    Professores da rede municipal da capital paulista também aderiram à paralisação e algumas escolas estão sem aula nesta segunda. Um protesto dos trabalhadores suspendeu a coleta de lixo em Sorocaba, no interior do Estado. A previsão é de que o serviço seja normalizado ainda pela manhã.

    Os motoristas e cobradores de ônibus das cidades de Santo André, São Bernardo do Campo e Guarulhos também protestaram contra a reforma da Previdência no início da manhã.

    Em Santo André, o sindicato da categoria não deixou os ônibus municipais e intermunicipais saírem do Terminal Oeste. Às 7h30 acabou a paralisação e houve a liberação dos coletivos. Longas filas de ônibus se formaram nos terminais.

    Em São Bernardo do Campo, os trólebus ficaram parados no terminal intermunicipal e os ônibus movidos à diesel fizeram trajetos alternativos. Em Guarulhos, 85 linhas intermunicipais não saíram da garagem. Ônibus voltaram a circular a partir das 7h30.

    'Enterrar a reforma'

    Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, as centrais definiram uma estratégia de intensificar as ações nas ruas e nas redes sociais. "Nossa luta é para enterrar de vez a reforma da Previdência", afirmou.

    Logo no início da manhã, manifestantes da CTB, Intersindical e CPSConlutas ocuparam o saguão principal do aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital. Durante o protesto, o presidente da CTB, Adilson Araújo, condenou o governo, que, segundo a central, quer aprovar a toque de caixa uma Previdência "regressiva", que penalizará o trabalhador mais pobre. "Essa paralisação tem o intuito de levar ao conhecimento da população o intento dessa agenda ultralibertal do governo", afirmou.

  • Mercado tenso retira US$ 9,3 bi de emergentes

    19/02/2018




    ECONOMIA
    Altamiro Silva Junior

    São Paulo - O aumento do nervosismo no mercado financeiro mundial desde o começo de fevereiro levou os investidores a retirarem US$ 9,3 bilhões apenas neste mês dos principais mercados emergentes, segundo o Instituto Internacional de Finanças (IIF), entidade formada pelos 500 maiores bancos do mundos. Nos últimos dias, o estresse diminuiu, mas a incerteza permanece alta e a tendência é de que os investidores passem a fazer maior diferenciação entre os emergentes quando forem decidir onde aportar recursos, ressalta relatório divulgado no domingo, 18, pela instituição. Os países mais vulneráveis podem sentir mais estes efeitos.

    Desde 30 de janeiro, quando os emergentes passaram a registrar fuga de capital, os investidores retiraram US$ 7,5 bilhões das bolsas destes mercados e US$ 1,8 bilhão do mercado de renda fixa, segundo os dados ainda preliminares do IIF, baseados em indicadores de alta frequência dos principais emergentes.

    Nos últimos dias, o ritmo de fuga de recursos se reduziu, seguindo a melhora do humor dos investidores, mas o tom que segue é o de cautela e que os investidores fiquem mais seletivos, diz o relatório.

    As principais bolsas mundiais voltaram a subir na semana passada, mas sinais de "tensões" começaram a aparecer nos mercados de crédito, ainda que de forma "modesta", e os retornos ("yields") dos bônus dos países desenvolvidos estão em alta, de acordo com o IIF.

    O relatório alerta ainda que cresce no mercado a aposta de que o Fed (o banco central dos EUA) vai subir os juros quatro vezes este ano, o que pode levar a nova reprecificação dos ativos com a divulgação do novo gráfico de pontos do Fed, que reúne a previsão de todos os dirigentes do BC para os juros nos EUA nos próximos anos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • MPF investiga CVM e Previc no Postalis

    19/02/2018




    ECONOMIA
    Fabio Serapião e Fernando Nakagawa

    Brasília - O Ministério Público Federal investiga se a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) falharam ao não conseguir impedir o rombo bilionário no fundo de pensão dos Correios, o Postalis. Segundo a PF e MPF, o rombo no fundo dos funcionários dos Correios seria de, pelo menos, R$ 5,6 bilhões.

    Ainda em estágio inicial, a apuração foi confirmada pelo procurador federal Ivan Cláudio Marx. Embora o investigador seja responsável pela operação Pausare, deflagrada há duas semanas para apurar fraudes em investimentos do fundo, a averiguação sobre os órgãos fiscalizadores é conduzida em outro procedimento.

    A CVM fiscaliza e normatiza o mercado de capitais e tem como uma das funções proteger investidores. Nessa função, deve acompanhar instituições financeiras e entidades relacionadas, como as agências de classificação de risco. Com o aval de agências de rating, o Postalis aplicou recursos de seus cotistas em fundos de investimentos. Por causa dessas operações no mercado de capitais, a CVM virou também objeto da investigação do MPF.

    O Ministério Público atua em situações que envolvam o interesse público. Neste caso, o interesse dos cotistas dos fundos de pensão. A suspeita é de que os prejuízos, que irão pesar para os participantes do fundo de previdência, tenham ocorrido também por negligência dos órgãos reguladores: a CVM da parte das agências de rating e fundos de investimentos; e a Previc, que fiscaliza e supervisiona o mercado de previdência complementar, como os fundos de pensão.

    O procurador Marx explicou ao jornal O Estado de S. Paulo que a investigação dos órgãos que regulam e fiscalizam o mercado financeiro é resposta a uma representação que chegou ao MPF. Além dessa suspeita sobre a efetividade da fiscalização de CVM e Previc, o procurador também indica que, no âmbito da operação Pausare, vai se debruçar sobre as agências de classificação de risco e consultorias usadas pelos gestores do Postalis.

    "A suspeita é que foram envolvidas no esquema. Acabaram validando isso, possibilitando que o esquema criminoso prosperasse", disse, ao citar três projetos que receberam mais de R$ 600 milhões dos empregados dos Correios. "Para os negócios fracassados que saíram, todo mundo tinha que estar envolvido. Caso contrário, alguém ia dizer que (o investimento) não tinha o menor fundamento", afirmou Marx ao explicar que as análises econômico-financeiras dos investimentos são uma das etapas do esquema investigado.

    Agências

    A decisão de avançar sobre as agências de risco e consultorias acontece diante das investigações indicarem que avaliações superestimadas do potencial de novos projetos e da capacidade de pagamento de devedores foram peça-chave em esquemas que geraram prejuízos em fundos de pensão, como dos Correios.

    "De uma forma geral, foi verificado que as análises de risco de mercado e de crédito dos investimentos, quando realizadas, eram conduzidas de forma superficial e sem qualquer técnica", cita relatório da investigação no fundo de pensão dos Correios.

    O documento produzido pela PF e MPF cita que avaliações sobre o potencial dos investimentos eram produzidas com base em "informações repassadas pelas próprias empresas investidas, as quais, invariavelmente, indicavam dados inverídicos".

    Operações que descobriram rombos indicam expediente semelhante com três fases em fundos que aplicaram em empresas que deram calote ou fracassaram: 1) gestores contratam agências de classificação ou consultorias para avaliar o potencial investimento; 2) uma análise é produzida com dados fornecidos pela própria empresa candidata a receber o dinheiro e 3) relatório favorável ao investimento é usado para que gestor aplique o dinheiro.

    Investigadores citam que as fraudes usam dados falsos sobre fluxo de caixa de empresas, taxa de retorno de projetos, saúde financeira dos empreendimentos e projeções sobre o potencial do negócio. Apesar dessa constatação, agências de classificação e consultorias não foram punidas por eventuais avaliações incorretas.

    Um exemplo aconteceu com a compra de títulos de dívida da empresa Canabrava Energética. O fundo dos empregados dos Correios emprestou R$ 66 milhões à empresa após a LF Rating emitir parecer positivo com o argumento de que a dívida tinha lastro na receita oriunda de contratos de venda de eletricidade.

    O problema é que não havia nenhum contrato de comercialização de energia. Aliás, o dinheiro emprestado pelo fundo de previdência dos carteiros era justamente para financiar equipamentos e instalações que permitiriam, no futuro, a geração de energia.

    Situações semelhantes foram descobertas pela Operação Greenfield e geraram prejuízo aos fundos de pensão dos funcionários da Petrobras e da Caixa. "Depender de consultorias privadas e das agências de classificação de risco poderia significar 'depender da raposa para tomar conta do galinheiro", cita o documento da operação Pausare, que investiga o Postalis. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • Sem fiscalização, rombo no fundo seria ainda maior, defende Previc

    19/02/2018




    ECONOMIA
    Fabio Serapião e Fernando Nakagawa

    Brasília - A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) rejeita a hipótese de falha na atuação no caso Postalis e defende que, sem o trabalho de fiscalização e acompanhamento, o rombo desse e de outros fundos de pensão seria ainda maior. Já a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) argumenta que não faz parte de suas atribuições a fiscalização dos fundos de pensão.

    O diretor de fiscalização da Previc, Sérgio Taniguchi, diz que o órgão ainda não foi notificado. O diretor rejeita a percepção de que houve falha. "Essa possibilidade de omissão, especialmente no Postalis, foi levantada na CPI dos Fundos de Pensão e pelo Tribunal de Contas da União e não há apontamento de omissão", diz, ao argumentar que, ao contrário, o trabalho da Previc permitiu à PF deflagrar ações para investigar o tema.

    "Diria que, se não tivesse o trabalho da Previc, o rombo não só no Postalis como em outras fundações seria muito maior", diz. Taniguchi argumenta que a Superintendência fez diversas autuações no fundo e a intervenção foi decidida após percepção de que gestores "flertavam com novas operações inadequadas ou de maior risco".

    Já a CVM explicou em nota que a fiscalização dos fundos de previdência complementar não está entre as responsabilidades do órgão. A Comissão lembra ainda que há interação do órgão com o MPF desde 2008, quando foi firmado um termo de cooperação.

    Citado como uma das entidades que avaliou o investimento do fundo dos carteiros no projeto Mudar Master, o escritório Bocater, Camargo Costa e Silva Advogados explica em nota que foi contratado "para a análise exclusivamente dos aspectos legais de propostas de investimentos". A empresa cita que "não externou qualquer opinião sobre a adequação valores ou riscos financeiros".

    Já a SR Rating diz em nota que "aplicou rigorosamente a metodologia à época estabelecida" para avaliação do investimento do Postalis. O rating atribuído em 2010 e 2011 era considerado "mediano". A partir de setembro de 2012, a agência rebaixou a nota em vários patamares. "A SR Rating afirma que atuou com total rigor técnico na avaliação da empresa e os resultados foram amplamente conhecidos pelos gestores do Postalis".

    Mencionada como consultora para o investimento no FIP Bioenergia do Grupo Canabrava, a Apsis Consultoria afirmou em nota que realiza "com regularidade laudos que suportam diversas operações societárias". "Apresentamos tudo que nos foi solicitado pelas entidades governamentais e reguladoras para as investigações em curso."

    As consultorias Baker Tilly Brasil e LF Rating - também citadas pela PF e MPF - foram procuradas, mas não se pronunciaram até o fechamento desta reportagem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.