Notícias

  • Presidente em exercício da Câmara diz que MP do Refis será votada na quarta-feira

    19/09/2017




    ECONOMIA
    Igor Gadelha e Daiene Cardoso

    Brasília - Presidente em exercício da Câmara, o deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG) afirmou nesta terça-feira, 19, que pautará para esta quarta-feira, 20, a votação no plenário da Casa da medida provisória (MP) que cria o novo Refis. O peemedebista disse que os líderes da base aliada ainda negociam os últimos pontos do texto, para que possa ir à votação. A proposta precisa ser aprovada na Câmara e no Senado e sancionada pelo presidente da República até 11 de outubro, quando perde a validade.

    Como mostrou o Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) na última quarta-feira, 13, acordo entre parlamentares e equipe econômica já estabeleceu em 70% o desconto máximo que contribuintes que aderirem ao Refis terão nas multas.

    O porcentual acordado é maior do que o previsto no texto original enviado pelo governo na MP, de 50%, e menor do que os 99% propostos pelo relator da MP, deputado Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG), em seu parecer sobre a matéria aprovada em comissão especial.

    Não é a primeira vez que o governo tem de ceder à pressão dos parlamentares, muitos deles devedores do Fisco, para afrouxar as condições de parcelamento dos débitos. Da outra vez, o governo foi obrigado a deixar o Refis perder a validade pelo tanto que foi desfigurado no Congresso. Desta vez, a previsão inicial era arrecadar R$ 13 bilhões, mas as mudanças feitas pelo relator derrubaram essa expectativa para R$ 420 milhões.

    Pelo acordo entre os parlamentares, o desconto máximo de 70% será para contribuintes que pagarem à vista o valor remanescente, após a entrada. Para aqueles que optarem pelo parcelamento, o acordo prevê descontos menores: de 50%, quando parcelarem a dívida em 145 meses e 25%, em 175 meses. No texto inicial da MP, os descontos no parcelamento eram de 40% nos dois prazos.

    Já nos juros que incidirão sobre as dívidas, parlamentares e governo acordaram em manter os porcentuais previstos no texto original da MP. O desconto máximo nos juros que incidem sobre as dívidas que os contribuintes poderão ter será de 90%, quando o pagamento for à vista, de 80%, quando for parcelado em 145 meses, e de 50%, no parcelamento de 175 meses.

    Em troca da negociação de juros e multas, parlamentares aceitaram manter em 25% o desconto máximo nos encargos legais, inclusive nos honorários, como previsto no texto original da MP. O relator e líderes criticavam o desconto menor nos encargos e honorários, cuja parcela da arrecadação vai para a Fazenda Nacional.

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  • Recuperação de crédito cai 2,3% em agosto em 12 meses, diz Boa Vista SCPC

    18/09/2017




    ECONOMIA
    Caio Rinaldi

    São Paulo - Houve queda de 2,3% no número de pessoas que honrou dívidas em atraso e saiu dos registros de inadimplência, na variação acumulada em 12 meses encerrados em agosto (setembro de 2016 a agosto de 2017) ante período equivalente do ano anterior, aponta o indicador de recuperação de crédito da Boa Vista SCPC. Já no acumulado do ano, de janeiro a agosto, houve queda de 1,9% na recuperação de crédito.

    Em relação ao mês anterior, julho, a Boa Vista verificou alta de 4,5% em agosto na série dessazonalizada. Já na comparação com agosto de 2016, foi apurada queda de 5,2%.

    "A média brasileira de recuperação de crédito aprofundou a tendência de queda, quando observados os dados acumulados em 12 meses. Ainda assim, o quadro de inadimplência na economia mantém-se com poucas alterações, uma vez que o crescimento do fluxo de registros de consumidores inadimplentes nos últimos meses também permanece em níveis próximos da estabilidade", explica a Boa Vista em nota.

    Na comparação do acumulado em 12 meses por região, apenas a região Sul apresentou alta na recuperação de crédito, com 4,9%. No Sudeste, houve queda de 0,9%; Centro-Oeste e Nordeste registraram queda de 6,7%; e no Norte foi verificado recuo de 10,9%.

  • JBS diz que Conselho de administração agiu de acordo com lei e estatuto social

    18/09/2017




    NOTICIA,
    Luana Pavani

    São Paulo - A JBS veio a público defender-se de notícias veiculadas nesta segunda-feira, 18, na imprensa, dizendo que a atuação do seu conselho de administração está de acordo com a lei e o estatuto social. O colegiado se reuniu no final de semana para eleger o novo presidente, e a escolha foi pelo patriarca José Batista Sobrinho, fundador da JBS, por conta da prisão do filho, Wesley Batista na última quarta-feira. Ao jornal O Globo, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, disse que consultará a área jurídica sobre a possibilidade de suspender a decisão do conselho da JBS, empresa da qual o banco é acionista, com 21%. Rabello diz que não sabia do encontro e que a representante do banco no Conselho, Claudia Santos, não o consultou. "O BNDES não mudou de posição. A conselheira votou por conta própria e pode ter sido pressionada. Ela votou no sufoco, é uma excelente advogada. Não tomei conhecimento da reunião antes. Foi uma reunião na calada da noite e convocada às pressas. Essa reunião pode ser invalidada por não cumprir com algumas regras de governança, como uma pauta prévia. Vou consultar o jurídico do banco para verificar a possibilidade de anular a decisão", afirmou Rabello na entrevista. Sem citar qual matéria especificamente, a JBS em nota à imprensa esclarece que "os conselheiros agiram no cumprimento de seus deveres fiduciários e, por unanimidade, tomaram a decisão que lhes pareceu ser a melhor para a Companhia, seus acionistas, colaboradores e demais stakeholders".

  • Preço do etanol sobe em 14 Estados e no Distrito Federal, diz ANP

    18/09/2017




    ECONOMIA
    Gustavo Porto

    Ribeirão Preto - Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros subiram em 14 Estados brasileiros e no Distrito Federal na semana passada, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) compilado pelo AE-Taxas. Outras oito unidades da federação registraram queda nos preços. Em São Paulo e no Pará houve estabilidade e a ANP não divulgou os valores nos postos do Amapá e em Roraima.

    Em São Paulo, principal Estado produtor e consumidor, a cotação média do hidratado permaneceu em R$ 2,443 o litro. No período de um mês, os preços do combustível subiram 2,22% nos postos paulistas.

    A maior alta no biocombustível na semana passada, de 8,76% foi em Mato Grosso. A maior queda semanal, de 1,56%, ocorreu na Bahia. Na média dos postos brasileiros pesquisados pela ANP, houve alta de 0,77% no preço do etanol na semana passada.

    No período de um mês, os preços do etanol subiram 19 Estados e no Distrito Federal, com destaque para Rondônia, com alta de 3,96% e Paraíba, com aumento de 3,85%. O maior recuo mensal foi em Goiás, de 3,74%. Na média brasileira, o preço do etanol nos postos brasileiros pesquisados pela ANP acumulou aumento de 1,46% no período de um mês.

    No Brasil, o preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 2,097 o litro, em São Paulo, e o máximo individual foi de R$ 4,21 o litro, no Rio Grande do Sul. O menor preço médio estadual foi de R$ 2,443 o litro, também em São Paulo, e o maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 3,642 o litro.

    Competitividade

    Mesmo com a alta generalizadas de preços, pela terceira semana seguida os valores médios do etanol hidratado seguiram competitivos com os da gasolina em São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, segundo dados da ANP, compilados pelo AE-Taxas. O levantamento considera que o combustível de cana, por ter menor poder calorífico, tenha um preço limite de 70% do derivado de petróleo nos postos para ser considerado vantajoso.

    Em Mato Grosso, onde o etanol está mais competitivo, o combustível é vendido em média por 62,07% do preço da gasolina. Em São Paulo a paridade está em 67,64%, em Minas Gerais o etanol custa em média, 68,06% do preço da gasolina e, em Goiás, a paridade é de 68,97%.

    A gasolina segue mais vantajosa principalmente no Rio Grande do Sul. Naquele Estado, o preço do etanol custa 87,47% do cobrado em média pela gasolina.

  • No campo, a revolução das startups

    17/09/2017




    ECONOMIA
    Anna Carolina Papp

    São Paulo - Já faz tempo que o campo virou paradigma de avanço tecnológico no País. Foi com ele que o agronegócio passou a ostentar grandes cifras e bater recordes de produtividade ano a ano. Na fronteira dessa inovação se encontra uma safra de jovens empreendedores, de 20, 30 e poucos anos, que usam big data, internet das coisas e até o conceito de economia compartilhada para revolucionar a maneira como o produtor cuida da lavoura e do seu negócio.

    De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), nos últimos dois anos, quase quadruplicou a quantidade de startups ligadas à agricultura - as chamadas agritechs, ou agtechs. Hoje, estima-se que haja cerca de 200 no País. Essas empresas, muitas incubadas em universidades, desenvolvem soluções em agricultura de precisão, monitoramento de lavoura e automação de equipamentos.

    Essas tecnologias não só reduzem custos como otimizam recursos. A Agrosmart, por exemplo, promete economia de até 60% da água utilizada para a irrigação das lavouras. Com sensores espalhados pela plantação, o sistema mede indicadores como umidade e temperatura do solo, direção do vento e radiação solar para informar a quantidade que cada parte da plantação necessita, bem como o horário mais econômico para a irrigação. "Rodamos algoritmos para saber a quantidade exata que o produtor deve usar", explica o sócio Raphael Pizzi. "Temos um outro produto que é o de controle, pelo qual o produtor consegue ligar o sistema de irrigação remotamente, pelo smartphone."

    A ideia do negócio veio da sócia-fundadora Mariana Vasconcelos, filha de produtores de milho em Itajubá (MG), durante seca que castigou a região Sudeste em 2014. Com dois amigos de infância e dinheiro do bolso, foram lançados os primeiros protótipos - testados na lavoura do pai de Mariana.

    A trajetória foi ascendente: em 2015, foram premiados pela Nasa e tiveram acesso a um programa de transferência tecnológica. Depois, a startup foi acelerada pelo Google, o que lhes rendeu US$ 80 mil em investimento e uma temporada de três meses no Vale do Silício, nos EUA. No mês passado, a empresa deu seu pontapé no exterior: com um parceiro local, inaugurou uma filial nos Estados Unidos.

    "Agora, estamos captando uma segunda rodada de investimentos e queremos, no primeiro semestre do ano que vem, focar na expansão Latam: Colômbia, Chile e Argentina", diz Pizzi. Este ano, o faturamento previsto da empresa é de R$ 10 milhões.

    Da sala de aula aos negócios. As agritechs têm uma relação forte com a academia, uma vez que várias dessas startups são incubadas em universidades, como a EsalqTec, da USP, em Piracicaba (SP) - além do apoio de instituições como a Embrapa. Segundo o Censo Agritech Startups Brasil, de dezembro de 2016, 53% dessas empresas têm membros com algum tipo de pós-graduação.

    "Em relação a fintechs, por exemplo, ainda estamos muito atrasados em relação a outros países. Agora, no agronegócio... o que está saindo das universidades não deixa nada a desejar", afirma Francisco Jardim, sócio-fundador da SP Ventures, fundo de investimento de capital de risco focado no agronegócio.

    Apesar do avanço de fundos de investimento e programas de aceleração, ainda faltam recursos.

    De acordo com a pesquisa, 80% encontraram dificuldades para captar investimentos - e 42% financiaram o negócio do próprio bolso. "Precisamos de novas linhas de crédito para esse mercado, além de visão de negócio - muitos empreendedores que saem da academia pensam como cientistas, e não como empresários", observa Mateus Mondin, professor da Esalq-USP e um dos responsáveis pela pesquisa. Para ele, apesar de ainda haver muita desconfiança, a tendência é que haja uma adoção gradativa e crescente das novas tecnologias. "Há soluções para todos os portes e bolsos, do grande produtor à agricultura familiar. Essas empresas estão fazendo uma verdadeira revolução na agricultura."

    Maikon Schiessl, diretor do comitê de agritech da ABStartups, concorda. "O agricultor do passado ficou para trás, ele hoje é conectado: 67% dos produtores usam o Facebook e 96% o WhatsApp, inclusive para os negócios. Eles precisam de soluções novas, digitais - e essas empresas estão entregando."

  • Drone muda forma de monitoramento da produção

    17/09/2017




    ECONOMIA
    Anna Carolina Papp

    São Paulo - Pensou em lavoura conectada, pensou em drone. Se o mundo ainda vem descobrindo a versatilidade dos veículos aéreos não tripulados (vants), criados para fins militares, o agronegócio foi um dos primeiros setores a apostar nessa tecnologia - que revolucionou o monitoramento da produção agrícola. Pequenos e leves, os drones, munidos de câmeras e sensores, captam imagens de resolução muito superior às de satélite. Assim, detectam com precisão focos de pragas, estresse hídrico, déficit de nutrientes e danos ambientais, aumentando a produtividade e poupando recursos.

    Há alguns anos, os produtores tinham de recorrer a aparelhos importados. Hoje, diversas empresas brasileiras já desenvolvem tanto equipamentos quanto softwares - e até exportam essa tecnologia.

    Uma das pioneiras do ramo foi a Horus Aeronaves, que desenvolve drones para mapeamento em agricultura, topografia e mineração. A startup foi criada por três engenheiros mecânicos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 2014

    , em um programa de empreendedorismo.

    Em abril deste ano, a empresa recebeu aporte de R$ 3 milhões da SP Ventures, gestora de fundos de investimentos de capital de risco. O valor foi repassado por meio do Fundo de Inovação Paulista (FIP). Com o aporte, a empresa abriu uma filial em Piracicaba (SP), considerada o polo tecnológico do agronegócio.

    "O esforço da Horus é popularizar e tornar o uso do equipamento mais atrativo para o produtor", afirma Fabrício Hertz, presidente da empresa. "Além disso, a agricultura brasileira é tropical, com uma série de características à parte em relação a outros países do mundo, como os Estados Unidos. Portanto, é preciso produzir uma tecnologia própria", diz.

    As aeronaves da Horus são programadas via GPS e podem ser controladas remotamente. Os equipamentos são feitos à base de fibra de carbono, que proporciona mais leveza e resistência. Um vant da empresa custa, em média, R$ 70 mil.

    Na Agrishow deste ano, maior feira de tecnologia da América Latina, que ocorreu em Ribeirão Preto (SP) em maio, a Horus lançou seu terceiro modelo: um drone com autonomia de duas horas de voo, capaz de mapear até 5 mil hectares de área.

    Além dos equipamentos, a empresa desenvolve softwares que processam e interpretam os dados coletados por meio de tecnologias embarcadas com sensores e sistemas de inteligência. "Tudo que o aparelho detecta no campo a gente transforma em informação: problema nutricional, porcentual de falhas na plantação e deficiência hídrica, por exemplo", diz Hertz. Com base nas imagens coletadas pelo drone, a empresa produz um relatório, que é enviado em até 48 horas para o produtor. "Assim, ele tem muito mais informações para as suas tomadas de decisão", pontua.

    No ano passado, a empresa expandiu seu mercado para o exterior e já tem presença na Argentina, Peru, Uruguai, Chile e Paraguai.

    Regulamentação

    Em maio, porém, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) regulamentou o uso de vants em todo o território brasileiro, a fim de garantir a segurança nas operações e padronizar os procedimentos.

    Dentre as novas obrigações está a exigência de licença e habilitação do órgão para controlar equipamentos com mais de 25 quilogramas. Vants mais leves ou que voem abaixo de 121 metros precisam apenas de um cadastro no site da Anac.

  • 'Rodovia do medo' está abandonada

    17/09/2017




    ECONOMIA
    André Borges, enviado especial

    Anápolis (GO) - As chamas lambem as laterais dos caminhões que seguem pelo asfalto da BR-153, nas proximidades de Gurupi, em Tocantins. É tempo de seca no cerrado. O fogo descontrolado avança sobre as touceiras do mato que não deveriam estar ali, sobre os acostamentos. Um após o outro, motoristas mergulham na cortina de fumaça que encobre a estrada e turva a visão. São buracos por todo lado, falta de sinalização, curvas perigosas, incêndios, assaltos e acidentes constantes, muitos deles fatais. A viagem pela Belém-Brasília é uma loteria, um jogo de azar.

    O roteiro diário que compõe o traçado da BR-153 entre Goiás e Tocantins explica por que caminhoneiros passaram a usar a alcunha de "Rodovia do Medo" para se referir à principal estrada de ligação das regiões Sudeste e Norte do País. Em estado de abandono, a Belém-Brasília está hoje a milhares de quilômetros de distância daquilo que se planejava para essa rodovia há exatamente três anos, quando foi concedida para a iniciativa privada, em setembro de 2014.

    O Estado percorreu todos os 625 quilômetros da estrada que, até o mês passado, estava sob o comando da Galvão Engenharia, empresa que comemorou a vitória de seu leilão de concessão com uma oferta de pedágio 46% menor que aquela sugerida pelo governo. O compromisso assumido pela companhia era o de injetar R$ 4,2 bilhões em obras de duplicação e melhorias entre os municípios de Anápolis (GO) e Aliança do Tocantins (TO).

    Praticamente nada foi feito. Enterrada na Operação Lava Jato, a Galvão Engenharia não conseguiu o financiamento bilionário que havia acertado com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No mês passado, depois de três anos de paralisia, o governo decretou a caducidade do contrato e, pela primeira vez na história, tomou de volta uma concessão rodoviária. Para os usuários da rodovia e os municípios cortados pela estrada, ficaram os riscos, a deterioração, a paralisia dos investimentos e a frustração de um desenvolvimento que não veio.

    O asfalto de péssima qualidade, lançado em camada muito fina ao longo de todo o traçado, está com buracos em diversos trechos, principalmente no Estado do Tocantins. O movimento intenso de caminhões abarrotados de toneladas de carga tem deformado boa parte do pavimento, criando bolhas de asfalto por todo lado.

    Os acostamentos estão cobertos pelo mato e boa parte virou terra. Em certos trechos, não existem mais. A única base de fiscalização do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) que existe no trecho está abandonada. A balança de fiscalização de peso está fora de operação.

    É sobre essa realidade que circulam, por dia, cerca de 60 mil veículos. Desse total, 18 mil são caminhões com mais de quatro eixos, todos carregados com grãos ou produtos acabados que circulam pelo eixo rodoviário central do Brasil.

    No ano passado, a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) analisou as condições do trecho concedido. A avaliação do pavimento, da sinalização e da geometria do traçado concluiu que 80% da estrada tinham situação classificada como regular, ruim ou péssima, 18% estavam em bom estado e nenhum centímetro de asfalto estava em ótimas condições.

    Comboio

    "Essa aqui é a Rodovia do Medo. Nunca ouviu falar?", pergunta o caminhoneiro Sydney Fausto dos Santos. Duas vezes por mês ele passa pela estrada com um caminhão "cegonha", carregando cerca de R$ 1 milhão em carros zero-quilômetro, fabricados na região do Grande ABC, em São Paulo. "Aqui, fora os assaltos, é o povo que quer te matar, que quer pedágio. Você vê de tudo, está abandonado. E se você chegar na polícia e falar, ela diz que não pode fazer nada porque está só na guarita", diz.

    Por conta dos assaltos frequentes, os caminhoneiros praticamente pararam de viajar à noite pelo trecho. Aqueles que ainda se arriscam pelo caminho fazem suas viagens em comboios. Dormir nos estacionamentos de postos de gasolina também está arriscado, dizem os caminhoneiros, por causa de assaltos que têm ocorrido com frequência. Durante todo o percurso, a reportagem passou por alguns postos de fiscalização da polícia, mas em nenhum deles havia abordagem pelos policiais.

  • Alimentos podem Ter 1ª deflação anual desde 2006

    17/09/2017




    ECONOMIA
    aria Regina Silva, Thaís Barcellos

    São Paulo - Com as recentes quedas nos preços de alimentos, economistas já preveem que o conjunto de preços de alimentação no domicílio, que representa pouco mais de 16% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), termine 2017 no nível mais baixo desde o Plano Real. A oferta abundante por causa da safra inédita de grãos é a principal explicação.

    Depois de fechar com altas de 10,38% em 2015 e de 9,4% em 2016, o segmento de alimentação no domicílio deve terminar o ano negativo, podendo ficar entre -3% e -4%, segundo analistas. A última vez que houve deflação nessa categoria foi em 2006, de -0,13%, o resultado mais baixo da série do IBGE, iniciada em 1994. Esse cenário contraria a estimativa mais otimista do início do ano, de alta de 2%. O câmbio comportado também vem permitindo cenário mais favorável para os preços de alimentos e, em magnitude menor, a recessão e até a crise deflagrada pela JBS.

    Para alguns, esse resultado pode fazer o IPCA fechar o ano abaixo de 3%, a banda inferior da meta de inflação (4,5%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo). Essa marca seria a menor desde 1998 (1,65%). A forte deflação esperada para a categoria de alimentos em casa, que recuou 5,19% em 12 meses até agosto, deve influenciar outros preços. O feijão carioca caiu 28% de janeiro a agosto. O arroz, que subiu 16,16% em 2016, já recuou 8,58% neste ano.

    Retração

    O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otavio Souza Leal, vê bastante chance de a inflação terminar abaixo de 3% em 2017, embora sua projeção atual seja de 3,10%. Ele estima uma deflação de 3,7% em alimentação no domicílio, número que não tinha em suas planilhas no começo do ano.

    Para o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, a "inércia boa" trazida pela forte deflação de alimentos no IPCA acumulado em 12 meses deve perdurar nos outros preços da economia, puxando a inflação toda para baixo.

    O próprio Banco Central (BC), afirmou, na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês, que "essa queda intensa dos preços de alimentos constitui uma substancial surpresa desinflacionária". Segundo a ata, o recuo do grupo responde por parcela relevante da diferença entre as projeções de inflação para 2017 e a meta de 4,5%. Em 12 meses até agosto, o IPCA acumula 2,46%.

  • BNDES quer sobreviver longe do governo

    17/09/2017




    ECONOMIA
    Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes

    Brasília - Enquanto tenta resistir às investidas do governo para que reduza seu tamanho, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) busca traçar desde já ampla estratégia que garanta sua sobrevivência no futuro.

    A instituição de fomento tenta ganhar tempo para se reciclar e conseguir permanecer relevante no plano nacional diante de medidas que devem atingir em cheio seu poder de fogo, como a pressão do Tesouro para obter mais dinheiro antecipado do banco e a iminente mudança nos juros de seus financiamentos para uma taxa mais alinhada à de mercado, a Taxa de Longo Prazo (TLP).

    Sem abandonar o papel de provedor de crédito em grandes projetos de infraestrutura, a intenção é colocar recursos em projetos que possam alavancar o desenvolvimento do País por meio de outros canais, como tecnologia e formação de pessoas. O banco contratou a consultoria alemã Roland Berger para trabalhar no plano estratégico 2022-2030. Duas palavras devem virar norte de atuação: inovação e interiorização.

    O banco também está de olho no mercado internacional para renovar sua fonte de recursos. O presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, esteve em Londres para acertar detalhes da reabertura do escritório da instituição e estuda abrir outros postos no exterior. A ideia é que a presença internacional abra caminho para as futuras captações de recursos que darão vazão aos novos créditos.

    Segundo Rabello, até o fim da transição, o BNDES já terá reformulado completamente suas principais fontes de financiamento. "Além disso, o governo nos solicitou uma colaboração financeira abrupta e, por outro lado, vem uma mensagem presidencial muito clara, do meu chefe, que está obcecado com a ideia de mais emprego e investimento em 2018", acrescenta.

    A TLP vai substituir a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos financiamentos do BNDES a partir de 2018. Com a nova taxa, o subsídio dos juros vai cair, ou seja, o crédito para as empresas com recursos do BNDES vai ficar mais caro. Hoje, a TJLP está em 7%, abaixo dos 8,25% da Selic. O subsídio menor contribui para o equilíbrio fiscal, mas Rabello era contra a mudança no momento em que a economia inicia uma retomada porque o crédito mais caro pode inibir os investimentos.

    Mesmo com a tentativa do BNDES de se reinventar, o pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) José Roberto Afonso avalia que o banco terá menos recursos para emprestar e a um custo mais caro, uma vez que a TLP aprovada valerá para todos os empréstimos, não só os feitos com recursos do Tesouro. "Inevitavelmente será um banco para poucos. Vão crescer as operações diretas, às quais só grandes e melhores empresas têm acesso."

    Novo foco

    Forçado a se reinventar, a ideia do novo BNDES é investir em projetos tecnológicos, até mesmo em mercados que ainda não existem no Brasil. "Não temos cientistas mandando foguete para a Lua, mas estamos muito interessados em saber se por acaso tem alguém fazendo um pequeno foguete. Isso pode ser uma ruptura futura", diz o presidente do banco. Na interiorização, a prioridade será intensificar a oferta de crédito a pequenos empresários que hoje não têm acesso.

    O novo plano estratégico do banco deve ser concluído no início de 2018, mas há áreas que desde já estão no radar como potenciais novas frentes de atuação, diz o diretor de Crédito, Planejamento e Pesquisa do BNDES, Carlos Da Costa. Entre esses focos estão o investimento em tecnologia; especialização do capital humano das empresas; modernização da gestão e da governança de empresas, cidades e governos; e adensamento de cadeias produtivas, com investimentos para integrar empresas que participam de um mesmo processo de produção.

    Principal beneficiário da política de crédito subsidiado no BNDES nos últimos anos, o setor produtivo vê esse "novo banco" com ceticismo. Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz Coelho, a redução de sua capacidade será fatal para o banco. "O custo do funding nacional 'telepou', não hoje porque isso é assunto para 2022, mas ninguém vai esperar chegar 2022."

  • BNDES não quer R$ 180 bi ao Tesouro

    17/09/2017




    ECONOMIA
    Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli

    Brasília - O embate entre o BNDES e o governo federal está prestes a evoluir para uma disputa oficial. O motivo do confronto é o pedido da equipe econômica para que o banco devolva ao Tesouro, entre 2017 e 2018, R$ 180 bilhões que foram repassados à instituição financeira. O comando do BNDES é contra a devolução e ameaça apelar ao Tribunal de Contas da União (TCU) para não ter de desembolsar a quantia.

    Antes disso, como última cartada, vai apresentar ao governo documentos que indicam que a antecipação do pagamento dos empréstimos pode trazer risco aos interesses do banco. "Nossa prioridade é governança, prudência e cuidados com recursos que são do público", disse Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

    A União - única acionista do banco - pediu a devolução de R$ 50 bilhões este ano e mais R$ 130 bilhões em 2018. Em 2015 e 2016, o BNDES já tinha devolvido R$ 130 bilhões.

    O governo conta com esse dinheiro para reduzir a dívida pública e cumprir a chamada "regra de ouro", que impede a emissão de novas dívidas para financiar despesas correntes.

    "Tenho dificuldade de entender como o banco pode antecipar pagamento de empréstimo cujo esforço de antecipação já foi feito, da ordem de R$ 130 bilhões, e que foi sujeito a questionamentos do TCU", disse Rabello. Segundo ele, o tribunal já quis saber se a devolução afetaria as condições de equilíbrio econômico e financeiro do próprio banco. Ele rebate os argumentos de que o BNDES conta hoje com quase R$ 200 bilhões em caixa e por isso poderia devolver o dinheiro. "Essa situação de folga tem de ser tratada com muito cuidado. 'Ah, tem aí uma grana, então passa essa grana aí', isso não é uma conversa séria, nem é a conversa que o governo está tendo com o banco."

    O diretor de Crédito, Planejamento e Pesquisa do BNDES, Carlos Da Costa, ressalta que o valor de R$ 180 bilhões é "indicativo" e que, caso a missão institucional do banco seja ameaçada, essa cifra tem de ser revista. "Existem vários mecanismos de governança do banco, do TCU e mecanismos políticos também, saudáveis, que limitam o que conseguimos devolver."

    Fontes do TCU avaliam que o banco pode de fato acionar o tribunal, mas que é "difícil dizer no que resultaria esse movimento". A corte de contas já tem dois processos que analisam a regularidade das emissões diretas do Tesouro ao banco e se o governo cumpriu a determinação de usar os R$ 100 bilhões devolvidos pelo BNDES exclusivamente para abater dívida bruta.

    O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, diz que não vê resistência do BNDES e que o banco está propondo soluções. "Temos buscado alternativas de maneira muito construtiva."

    Entre economistas, as opiniões se dividem. Para José Roberto Afonso, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o BNDES mais uma vez é usado para maquiar as contas públicas. "É um erro exigir que o banco antecipe pagamentos para inflar o Orçamento." Já o ex-secretário do Tesouro Carlos Kawall defende que a medida é importante para reduzir a dívida bruta do governo num momento de ociosidade do BNDES e queda dos desembolsos.

  • José Batista Sobrinho, fundador da JBS, é escolhido para presidência

    17/09/2017




    ECONOMIA
    Cynthia Decloedt

    São Paulo - O Conselho de Administração da JBS elegeu por unanimidade ontem, José Batista Sobrinho, fundador da companhia, como presidente para completar o mandato em curso, informou a JBS por meio de nota.

    O Conselho também definiu a criação de um Time Global de Liderança, responsável por assessorar a presidência em tomada de decisões. O time é composto por Gilberto Tomazoni, André Nogueira e Wesley Batista Filho, que comandam algumas das principais áreas de negócios da JBS e que seguem com suas atribuições e responsabilidades atuais.

    José Batista Sobrinho foi o primeiro presidente da JBS, empresa que criou em 1953. É membro do Conselho de Administração da companhia há mais de dez anos, diz a nota distribuída.

    Gilberto Tomazoni, presidente global de operações, está na empresa desde 2013 e tem mais de 30 anos em posições de liderança no setor de alimentos. Uma das principais lideranças da JBS, Tomazoni é responsável por todas as operações da empresa no mundo.

    André Nogueira está na companhia desde 2007. Antes de ocupar a sua função atual como presidente da JBS USA, o executivo foi CFO da mesma operação e presidiu a JBS na Austrália.

    Wesley Batista Filho era até esta data presidente da divisão de carne bovina da JBS USA, após ter ocupado cargos de liderança na JBS em cinco países desde 2010.

    O Conselho de Administração concordou também que a diretoria cuidará de buscar um diretor para a área financeira da JBS S.A. Ainda, na mesma reunião, o Conselho de Administração da JBS deliberou pela nomeação, como seu membro efetivo, de Aguinaldo Gomes Ramos Filho, executivo com experiência nas operações da JBS no Brasil, Uruguai e Paraguai, em substituição a Wesley Batista.