Notícias

  • Caterpillar tem lucro líquido de US$ 1,67 bilhão no 1º TRI e supera expectativa

    24/04/2018




    NOTICIA,


    Nova York - A Caterpillar informou nesta terça-feira que teve lucro líquido de US$ 1,67 bilhão no primeiro trimestre, ou US$ 2,74 por ação, bem superior ao de US$ 192 milhões, ou US$ 0,32 por ação, de igual período do ano passado. Excluindo-se itens não recorrentes, o lucro ajustado por ação ficou em US$ 2,82, acima da previsão dos analistas ouvidos pela FactSet, de US$ 2,12. A receita da companhia cresceu 31% na comparação anual, de US$ 9,82 bilhões a US$ 12,86 bilhões no trimestre passado. O resultado também superou a expectativa, de US$ 11,98 bilhões. A Caterpillar ainda elevou sua previsão de lucro ajustado por ação em 2018, para entre US$ 10,25 e US$ 11,25. Anteriormente, projetava entre US$ 8,25 a US$ 9,25. Após os resultados positivos do balanço, a ação subia 4,36% no pré-mercado em Nova York, às 8h50 (de Brasília). Fonte: Dow Jones Newswires.

Filtre Por

Buscar: OK
  • Kroton tem mais duas aquisições de escolas em andamento

    23/04/2018




    NOTICIA,
    Dayanne Sousa

    São Paulo - A Kroton tem duas escolas de ensino básico em processo de aquisição, cuja compra deverá ser fechada ainda este ano, afirmou o presidente da companhia, Rodrigo Galindo. As aquisições estavam sendo tratadas antes de a Kroton avançar na transação de compra do controle da Somos, negócio anunciado nesta segunda-feira, 23. A companhia iniciou um processo de aquisições de escolas de pequeno porte com a compra do Centro Educacional Leonardo da Vinci, em Vitória. Segundo Galindo, essa estratégia de compra de pequenas escolas de boa reputação regional continua com as transações que já estavam no "pipeline", ou seja, previstas. Além disso, a companhia continua com a estratégia de abrir escolas de forma orgânica nas regiões onde já foram feitas aquisições. Apesar de destacar que essa estratégia será mantida, o executivo afirmou que a empresa não tem mais "obrigação ou necessidade" de fazer aquisições no curto prazo. Questionado por jornalistas sobre os rumores de que a Kroton estaria em negociações com a Santillana, dona da editora Moderna, Galindo confirmou que a empresa teve conversas com a Santillana, mas disse que agora essa transação se torna impossível porque, com a compra da Somos, a Kroton passa a ser um importante competidor do mercado de editoras e haveria forte sobreposição. A Somos é dona das editoras Ática, Scipione e Saraiva.

  • Sem MP da reforma trabalhista, volta a valer texto da lei; veja o que muda

    23/04/2018




    ECONOMIA


    São Paulo - A medida provisória (MP) que alterava pontos polêmicos da reforma trabalhista perde a validade nesta segunda-feira, 23. Com isso, volta a valer o que diz o texto da reforma aprovado no ano passado. O governo analisa agora pontos que poderão ser regulamentados por decreto mas ainda não ainda não há prazo para edição do novo documento.

    Relator da MP na Câmara, o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) disse que o decreto deve regulamentar apenas questões relacionadas ao trabalho intermitente. Os demais pontos só poderiam ser regulamentados por lei, mas o governo não pretende enviar nova MP ou projeto para isso.

    A MP que caducou nesta segunda-feira estabelecia, por exemplo, que trabalhadores contratados no regime intermitente - que permite à empresa convocar os trabalhadores quando necessário, remunerando-os pelas horas - teriam de pagar a diferença da contribuição ao INSS quando a renda mensal não atingisse um salário mínimo.

    Se não pagasse a diferença, o mês não seria contado para aposentadoria e seguro-desemprego. Também previa regras para quarentena e fim de contrato para esses trabalhadores.

    A medida provisória ainda estabelecia outros pontos, entre eles, autorização para grávidas a trabalharem em locais insalubres, desde que com autorização médica.

    Para os pontos que não forem regulamentados por decreto, ficarão valendo as regras da reforma trabalhista aprovadas pelo Congresso Nacional e que entraram em vigor em 11 de novembro de 2017.

    Veja abaixo o que muda:

    Intermitentes

    Com a MP

    - Quando renda mensal não atingir salário mínimo, trabalhador terá de pagar diferença ao INSS. Se não pagar, mês não será contado para aposentadoria e seguro-desemprego;

    - Cria quarentena de 18 meses para contratar ex-empregado como intermitente, mas cláusula só vale até dezembro de 2020;

    - Permite movimentar 80% da conta do FGTS, mas não dá acesso ao seguro-desemprego.

    Sem a MP

    -Não prevê quarentena para recontratar ex-empregado como intermitente. Não fornece detalhes sobre INSS e fim de contrato

    Grávidas

    Com a MP

    - Ficam livres do trabalho insalubre, mas podem trabalhar se apresentarem autorização médica.

    Sem a MP

    - Devem continuar trabalhando em atividades insalubres de grau mínimo e médio exceto com atestado médico.

    Indenização

    Com a MP

    - Valor máximo de 50 vezes o teto dos benefícios da Previdência.

    Sem a MP

    - Valor máximo poderia ser de até 50 vezes o último salário.

    Jornada de 12 x 36 horas

    Com a MP

    - Era necessário acordo coletivo para nova jornada exceto trabalhadores da saúde que podem aderir em acordo individual.

    Sem a MP

    - Acordo individual é suficiente para jornada de 12 horas de trabalho com 36 horas de descanso.

    Autônomos

    Com a MP

    - Fim da cláusula de exclusividade, mas MP afirmava que trabalhar para apenas uma empresa não gera vínculo empregatício.

    Sem a MP

    - Permite possibilidade de contratar autônomo com cláusula de exclusividade.

  • Enel fez 2º aditamento ao edital de OPA, diz Eletropaulo

    23/04/2018




    NOTICIA,
    Luana Pavani

    São Paulo - A Eletropaulo informou que a Enel Brasil fez publicação do segundo aditamento ao edital de oferta pública voluntária (OPA) concorrente para aquisição do controle da companhia. A empresa fez reapresentação dos editais, em conjunto com o da Energisa e da Neoenergia, dado que os três leilões ocorrerão na data de 18 de maio. Devido a esse fato relevante, a negociação das ações da distribuidora paulista foi suspensa até às 13h19, depois entraram em fase "pause", permitindo cancelamento das ofertas registradas. De 13h24 às 13h29 ocorre o leilão para reabertura da negociação. Antes do leilão, às 12h59, a cotação era de alta de 5,49%, a R$ 30,54. Reabriu com alta de 5,46%, a R$ 30,47, e então desacelerou para 4,70% pouco antes do fechamento deste texto, ao preço de R$ 30,31.

  • Ilan diz que Brasil precisa continuar no caminho de ajustes e reformas

    23/04/2018




    ECONOMIA
    Fabrício de Castro

    Brasília - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta tarde de segunda-feira, 23, durante evento em São Paulo, que o Brasil "precisa continuar no caminho de ajustes e reformas para manter a inflação baixa, a queda da taxa de juros estrutural e a recuperação sustentável da economia". O comentário retoma uma ideia já presente nos discursos mais recentes de Goldfajn, inclusive nas Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), na semana passada.

    Goldfajn reafirmou ainda que houve avanços significativos na agenda de reformas e ajustes da economia, "com diversas medidas estruturais já aprovadas e diversas iniciativas em andamento".

    Sobre a conjuntura econômica, Goldfajn pontuou que há recuperação consistente, com a inflação convergindo em direção às metas, mas existem riscos. "O cenário internacional encontra-se benigno, mas não podemos contar com essa situação perpetuamente", acrescentou.

  • Transação com Somos começou na sexta-feira, diz presidente da Kroton

    23/04/2018




    NOTICIA,
    Dayanne Sousa

    São Paulo - A decisão de aquisição da Somos pela Kroton foi firmada ao longo de três dias de conversas, segundo o presidente da Kroton, Rodrigo Galindo. Ele afirmou que as negociações mais recentes entre as empresas começaram na última sexta-feira e avançaram ao longo do final de semana. Segundo o executivo, as conversas avançaram rápido dessa vez porque as empresas já se conheciam e tinham negociado outras vezes ao longo do ano passado. Conforme o Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) apurou, naquela época houve divergência com relação ao preço pago na transação. A Kroton Educacional fechou a compra do controle da Somos por R$ 4,56 bilhões. A aquisição foi feita por meio da holding criada pela Kroton para o negócio de educação básica, a Saber Serviços Educacionais. As ações da Somos foram vendidas pela Tarpon Gestora de Recursos, antiga controladora da companhia. A Somos é um dos principais competidores do segmento de ensino básico e é dona de colégios como o pH e o Anglo. A empresa detém ainda editoras de livros como Ática, Scipione e Saraiva.

  • Mais de 12 milhões de contribuintes ainda não fizeram a declaração do IR

    23/04/2018




    ECONOMIA


    São Paulo - A uma semana do prazo, 12,9 milhões de contribuintes ainda não entregaram a declaração do Imposto de Renda 2018 (ano calendário 2017). A Receita informou que até as 11 horas desta segunda-feira, 23 de abril, 15.979.418 declarações foram recebidas.

    De acordo com o supervisor nacional do IR, Joaquim Adir, a expectativa é de que 28,8 milhões de contribuintes entreguem a declaração. O prazo de entrega da declaração vai até 30 de abril.

    A Receita alerta que os contribuintes que perderem o prazo estarão sujeitos ao pagamento de multa mínima de R$ 165,74 e máxima de 20% do imposto devido.

    Neste ano é obrigatório informar o CPF de dependentes a partir de 8 anos ou mais, completados até a data de 31/12/2017.

    Quem é obrigado a declarar o IR?

    - Recebeu rendimentos tributáveis cuja soma foi superior a R$ 28.559,70;

    - Recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, que ultrapassaram R$ 40.000,00;

    - Teve receita bruta anual superior a R$ 142.798,50 com atividade rural;

    - Teve a posse ou a propriedade, em 31 de dezembro de 2016, de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 300.000,00;

    - Passou à condição de residente no Brasil em qualquer mês do ano passado e nessa condição se encontrava na data de 31 de dezembro de 2016.

  • Parcela de lojas paulistanas com estoques adequados cresce a 57,1% em abril

    23/04/2018




    ECONOMIA
    Thaís Barcellos

    São Paulo - A parcela de lojas na cidade de São Paulo com nível de estoques considerado adequado cresceu de 56,4% em março para 57,1% em abril, de acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Apesar disso, a entidade faz uma avaliação negativa do levantamento do mês, já que houve aumento dos empresários com excesso de produtos e redução das lojas com falta de itens.

    "Esse resultado tem coerência com a percepção de muitos varejistas de que o ritmo de recuperação da economia está demorando mais do que se esperava para engrenar", diz a FecomercioSP em nota.

    A fatia de empresas com mercadorias paradas subiu de 29,5% para 30%, enquanto a proporção daquelas que reportam falta de produtos caiu de 13,6% para 12,6%. Mesmo assim, o Índice de Estoques (IE) avançou de 113,3 pontos para 114,6 pontos. Em relação a igual mês de 2017, houve aumento de 16%.

    Segundo a FecomercioSP, o porcentual de empresários com estoques elevados caiu um pouco com as vendas de Natal, mas, de lá para cá, a evolução praticamente estancou. A entidade ainda destaca que o indicador de estoques tem resistido à recuperação econômica em curso e, com o desempenho fraco do primeiro trimestre, fica descartado o ajuste definitivo no primeiro semestre.

    "Para que a parcela volte ao patamar pré-crise (de menos de 25%), será necessário mais uma rodada de otimismo e crescimento das vendas, o que ocorreu de forma muito tênue e localizada no primeiro trimestre deste ano", afirma, citando a evolução positiva do setor de automóveis e nas grandes empresas.

  • Vazamentos de mineroduto deixaram moradores sem água e sem trabalho

    22/04/2018




    ECONOMIA
    Leonardo Augusto

    Santo Antônio do Grama - Morador da zona rural de Santo Antônio do Grama, na Zona da Mata, em Minas, o produtor rural Antônio Pereira de Acipresti, de 53 anos, foi um dos atingidos pelo vazamento do mineroduto da empresa Anglo American, que corta o município. Antônio trabalhava com criação de gado em área de 15 hectares que possui a 10 km da cidade. Do outro lado da estrada que serve sua propriedade, passa o mineroduto. No segundo dos dois vazamentos de minério de ferro que ocorreram na estrutura, nos dias 12 e 29 do mês passado, pelo menos a metade de sua área recebeu uma verdadeira "chuva" de minério de ferro.

    "Dizem que eu só poderei voltar a mexer lá daqui a um ano e meio", diz o trabalhador, que iniciou negociações com a empresa para ser indenizado. "Estou desanimado. A firma é muito rica e eu sou pobre. Vamos ver o que acontece", afirma. Na área atingida não havia construções, mas pasto para o gado. No momento do estouro, o produtor rural, que mora com a mulher e dois filhos em um terreno do pai, também na região, tinha na área 14 cabeças de gado, que conseguiu salvar.

    O vazamento do minério da Anglo American que deixou Antônio sem trabalho atingiu também o ribeirão Santo Antônio do Grama, responsável pelo abastecimento de água da cidade, que tem cerca de cinco mil habitantes. Depois do primeiro vazamento, moradores relatam ter ficado uma semana sem água nas caixas.

    A população diz ainda que a distribuição de água por caminhões pipa, organizada pela mineradora, só começou dois dias depois do vazamento do minério. "Ficar dois dias sem água pra tomar banho e até para fazer comida? Foi muito ruim", relata o servente de pedreiro Marcio Célio Maia, de 33 anos, que tem uma filha e mora com o irmão. O que "salvou", segundo ele, foi uma bica d?água que existe na área urbana do município. "Era o dia inteiro transportando água em garrafas de dois litros, só pra fazer comida e café. Para tomar banho, não dava", conta Maria das Graças Flores Reis.

    Depois do primeiro estouro do mineroduto, um outro ponto de captação de água foi montado para abastecimento da cidade. Com isso, no segundo vazamento, o fornecimento não foi prejudicado. Essa é a captação que vem garantindo água na cidade hoje.

    Sobre a indenização aos moradores, a Anglo American afirma que "não comenta sobre negociações individuais". Em relação à falta d?água ocorrida na cidade, por causa do primeiro vazamento, a empresa disse que""a captação de água em Santo Antônio do Grama foi interrompida no dia 12 e que a população passou a ser atendida com caminhões-pipa e galões de água mineral". Segundo a empresa, já foi concluída a construção de uma nova adutora, "garantindo uma segunda opção de fornecimento de água para a cidade de forma permanente". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • O mineroduto de problemas da Anglo

    22/04/2018




    ECONOMIA
    Humberto Maia Junior

    São Paulo - Em 25 de outubro de 2014 um navio deixou o Porto de Açu, no Rio, rumo ao porto de Zhanjian no Sul da China, onde chegaria oito semanas depois com cerca de 80 mil toneladas de minério de ferro. Era o início das operações do Minas-Rio, o grandioso projeto da mineradora Anglo American para extração de minério de ferro em Minas Gerais e transporte para o porto fluminense via um mineroduto de 525 quilômetros, que o colocava como o maior do mundo.

    Para os investidores da Anglo, o embarque era a esperança de que os problemas que tinham provocado estouros no orçamento, atrasos no cronograma e a demissão da presidente global da empresa, Cynthia Carroll, por "diferenças de opinião" com acionistas, tinham chegado ao fim. O pesadelo, no entanto, estava longe de terminar. O Minas-Rio acumulou prejuízo atrás de prejuízo e perdeu US$ 11,3 bilhões em valor de mercado, sendo avaliado em US$ 4,2 bilhões no fim de 2017. Depois de fechar o ano passado pela primeira vez no azul, 2018 começou e, em vez da confirmação da recuperação, vieram novos problemas.

    Às 7h42 do dia 12 de março, técnicos da Anglo identificaram um vazamento no mineroduto em Santo Antônio do Grama, cidade de 4 mil habitantes a 230 km de Belo Horizonte. Até o fim daquele dia, segundo a empresa, 95% do vazamento seria contido.

    Mas os estragos estavam feitos. Cerca de 300 toneladas de uma mistura formada por minério de ferro com água contaminaram um córrego da região, prejudicando o abastecimento de água para os moradores. No dia 27, o mineroduto foi reaberto. Dois dias depois, às 18h55, novo vazamento é identificado, despejando quase 650 toneladas de material. Em resposta ao segundo incidente, a Anglo anunciou a paralisação das atividades por 90 dias. Órgãos ambientais aplicaram multas que, somadas, chegam a R$ 200 milhões.

    Prejuízo

    O impacto da paralisação não será pequeno. Especialistas no setor dizem que a interrupção das atividades vai prejudicar os resultados da empresa. Segundo cálculos da Tendências Consultoria, 10 milhões de toneladas de minério de ferro deixarão de ser produzidas. Para dar uma ideia do prejuízo, no ano passado o Minas-Rio produziu 16,8 milhões de toneladas de minério de ferro. "O vazamento compromete os resultados da empresa e a retomada da produção será gradual", diz Yasmin Freitas, analista de mineração da Tendências.

    Ruben Fernandes, presidente da Anglo American no Brasil, diz que o trabalho agora é investigar o que provocou os vazamentos e impedir novos acidentes. "Queremos concluir os trabalhos o quanto antes para ter de volta a licença de operação."

    Depois disso, o foco será iniciar a Fase 3 do projeto Minas-Rio, que vai permitir explorar outras regiões da mina. As primeiras licenças ambientais para isso foram obtidas em janeiro. "Com ela, teremos no mínimo 15 anos de operação com capacidade de produzir 26,5 milhões de toneladas de minério a partir de 2020", diz Fernandes.

    Qualquer previsão a respeito do Minas-Rio, porém, é no mínimo uma tarefa arriscada. Desde que foi comprado em 2007 da MMX, uma das empresas de Eike Batista, o Minas-Rio sofre com toda série de imprevistos que resultaram em muitos atrasos. A expectativa inicial era que as primeiras toneladas de minério de ferro das minas de Itapanhoacanga e Serra do Sapo fossem exportadas no fim de 2010. O comando da empresa, porém, não previa as dificuldades para obtenção das licenças exigidas para um projeto desse porte. No fim do ano seguinte, o novo cronograma admitia de 12 a 15 meses de atraso em razão da burocracia na obtenção de licenças, além de dificuldades na negociação com os donos das terras que precisavam ser desapropriadas para a construção do mineroduto. Só em 2009 foram obtidas 21 licenças diferentes.

    Obstáculos

    Ao longo da obra, a Anglo teve de enfrentar danos causados pelas chuvas, aumento dos custos da obra e resistência de moradores das áreas afetadas. "Os impactos da instalação do mineroduto foram grandes e geraram diversas reclamações dos moradores", diz o promotor Marcelo Mata Machado, do Ministério Público de Minas Gerais, que acompanha o projeto.

    Como resultado de tantas adversidades, os ativos da Minas-Rio foram perdendo valor de mercado e, no fim do ano passado, acumulavam perda de US$ 11,3 bilhões, registrada por auditores no balanço da empresa. Fernandes diz que essa baixa é temporária. "Quando o projeto atingir a capacidade de produção de 26,5 milhões de toneladas, o valor vai subir muito." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • 90% dos acordos superam a inflação

    22/04/2018




    ECONOMIA
    Márcia De Chiara

    São Paulo - O recorde de baixa da inflação neste início de ano ajudou o trabalhador na hora de fechar os reajustes salariais. Quase 90% das negociações no primeiro trimestre tiveram ganhos acima da inflação. Não se via número tão grande de categorias com reposição integral das perdas provocadas pela inflação desde 2014. Isso é o que aponta um levantamento, feito a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, pelo Projeto Salariômetro da Fipe, com base nos dados do Ministério do Trabalho.

    Apesar de o desemprego continuar elevado, com mais de 13 milhões de brasileiros sem trabalho, a situação de quem está empregado é mais favorável neste momento porque a inflação está baixa. Nos últimos dez anos, foi a primeira vez que houve a combinação de inflação baixa com reposição real de salários. "É uma situação inédita e o melhor dos mundos", afirma Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia da USP e coordenador do Salariômetro. Hoje, diz ele, os reajustes reais não são muito altos, mas a inflação está muito baixa. Isso evita a corrosão dos ganhos a partir do momento que o trabalhador recebe o salário.

    No primeiro trimestre, a inflação média acumulada em 12 meses pelo INPC, que baliza os reajustes salariais, foi de 1,9%. Os quase 800 reajustes fechados no período tiveram ganho real de 0,9%, em média, aponta o estudo. Com a inflação baixíssima, os trabalhadores agora estão numa situação privilegiada, diz o economista. Isto é, eles conseguem ganhos reais nos reajustes e não perdem o poder de compra do salário porque a tendência é de a inflação continuar em baixa.

    Marcio Antonio Vieira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Artefatos de Borracha e Pneumáticos de São José do Rio Preto e Região, conseguiu negociar um reajuste salarial de 6% em fevereiro com dez empresas de beneficiamento de borracha natural. Esse aumento representou um ganho real - descontada a inflação - de 4%. "Foi um grande feito", diz. No ano passado, o sindicato conseguiu um aumento de 8%. Mas como a inflação era de quase 6%, o ganho real foi bem menor, de 2%.

    Com inflação baixa, os empregadores podem se dar ao luxo de dar um pouquinho mais, porque esse reajuste não pesa tanto nos custos e o repasse é mais tranquilo, diz Fábio Romão, economista da LCA Consultores.

    Flexibilidade

    Apesar do ganho real maior no salário, Vieira conta que teve de ser mais flexível com as empresas para conseguir fechar os acordos. "Criamos banco de horas e prêmio por assiduidade porque as faltas prejudicam a produção na época da safra do látex."

    Clemente Ganz Lúcio, diretor do Dieese, diz que, neste momento, algum ganho real de salário nas negociações pode ser decorrente de uma maior flexibilização em algum benefício. "É provável que isso esteja acontecendo na negociação."

    Ele explica que, depois da reforma trabalhista, são os empregadores que estão indo para as negociações com uma pauta que prevê a redução de direitos dos trabalhadores. Mas, na sua avaliação, os ganhos reais nos reajustes decorrem principalmente de arredondamento. "Creio que seja arredondamento mesmo por conta da baixa taxa de inflação e provavelmente negociações mais duras."

    Fábio Fortes, superintendente do Sindicato dos Trabalhadores em Sociedades Cooperativas do Estado de Minas Gerais, relata a dificuldade enfrentada para negociar o reajuste para os 15 mil empregados em 200 cooperativas de crédito que acabou resultando num aumento de 3,3% nominal e de 1,24%, descontada a inflação. "Foi o maior reajuste real em dez anos", diz.

    A data base da categoria é novembro, mas o acordo só foi fechado em janeiro, após dez reuniões tensas.

    'Foi mais do que a gente esperava'

    Alessandro Alves de Siqueira, de 31 anos, casado e com uma filha, é um dos 600 trabalhadores que não acreditavam que conseguiriam um reajuste de salário de 6%. Faz três anos que ele está empregado numa indústria de processamento de látex, no município de Bálsamo, a 30 quilômetros de São José do Rio Preto (SP). "A negociação deste ano foi mais do que a gente esperava." Ele observa que empresas de diferentes setores da região deram reajustes em torno de 2%. Com essa referência, ele e os colegas esperavam um aumento de 3% a 4%. "Graças a Deus conseguimos 6%."

    Sem horas extras, o salário base de Siqueira reajustado subiu para R$ 1.720. Com isso, desde fevereiro ele está recebendo R$ 80 a mais por mês. "Não dá para fazer muita coisa. Mas perto do que foi a inflação no período, é um dinheiro para gastar com a família no final de semana."

    Siqueira, ao contrário de muitos colegas, consegue avaliar o reajuste levando em conta a inflação. Em 2017, o aumento tinha sido de 8%, mas a inflação foi de 6%. Então, Siqueira teve ganho real de 2%. Neste ano, o aumento foi de 6% para uma inflação de 2% e o ganho real foi de cerca de 4%. "O trabalhador não identifica o ganho real. Ele fica mais satisfeito quando o número é maior", diz Marcio Vieira, do Sindicato dos Trabalhadores na Indústrias de Artefatos de Borracha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.