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  • Rodovia privatizada tem R$ 30 bi em investimento parado

    23/07/2017




    ECONOMIA
    Alexa Salomão e Lu Aiko Otta

    São Paulo e Brasília - As concessionárias de rodovias federais amargam uma intrincada lista de problemas. Apesar de cada empresa ser um caso particular e muitas serem vítimas de suas próprias decisões equivocadas, especialistas em infraestrutura apontam dois traços em comum no imbróglio: a solução dos entraves depende do poder público e sua protelação custa caro - paralisa R$ 30,5 bilhões de investimentos na melhoria e expansão de estradas, segundo estimativa da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

    "É raro encontrar uma concessionária que não tenha alguma discussão relevante com órgãos públicos afetando decisões de investimentos", diz a advogada Letícia Queiroz, especializada em infraestrutura. Há indefinições contratuais por divergências entre órgãos públicos; morosidade do governo para tomar decisões; dificuldade para garantir crédito e até investigação na Operação Lava Jato.

    Sob a gestão de 21 concessionárias estão 10 mil km de estradas federais pedagiadas consideradas a espinha dorsal do sistema de transporte nacional. A BR-163, no Centro-Oeste, rota de escoamento de grãos; a Via-40, que liga Brasília à Minas Gerais; e as Auto Pistas Planalto Sul e Litoral Sul, trechos da BR-116 e da BR-101, no Paraná e Santa Catarina, são algumas delas.

    O Estado entrou em contado com todas e comprovou a diversidade de problemas regulatórios. "As dificuldades costumam variar de acordo com a etapa em que a concessão foi feita", diz Cláudio Frischtak, da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios. A primeira etapa, por exemplo, ocorreu nos anos 1990 e termina nos próximos quatro anos. A preocupação é de que maneira a concessionária entrega a estrada, pois os contratos não preveem prorrogação. Algumas empresas, porém, alegam que há obras que não podem esperar, e se propõem a fazê-las em troca de um tempo a mais na concessão. Cerca de R$ 6 bilhões de investimentos dessa ordem foram engavetados porque o governo prefere relicitar.

    É o caso da CCR, na Nova Dutra, que liga Rio a São Paulo. A concessão termina em 2021, mas a empresa defende obras na via, incluindo a construção de uma nova subida da Serra das Araras para melhorar o trajeto que tem quase um milhão de usuários diários. A empresa promete R$ 3,5 bilhões em investimento, mas o governo diz que é preciso trocar o concessionário e modernizar os contratos.

    Gatilho. Nas concessões de segunda etapa, há temor em relação à reação do Tribunal de Contas da União (TCU), que tem questionado as obras liberadas pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Realizadas no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, previu poucas obras e, em troca, garantiu aos motoristas tarifas baixíssimas. Ficou célebre o pedágio de R$ 0,99 que saiu vencedor na disputa pela Fernão Dias, que liga Minas Gerais a São Paulo.

    Os contratos, porém, preveem que quando o fluxo de veículos atinge um determinado volume, é possível fazer obras de ampliação, recebendo aportes do governo ou ganhando permissão para elevar a tarifa. O dispositivo é conhecido como "gatilho de investimento".

    Empresas dessa etapa têm R$ 12 bilhões engatilhados para novas obras, mas não disparam R$ 1. "Enquanto o TCU não der ok à ANTT, nada anda", diz Cesar Borges, presidente da ABCR. As empresas também têm expectativa em relação ao resultado da segunda revisão quinquenal (a cada cinco anos) dos contratos.

    A situação é dramática na terceira etapa. Realizada no governo de Dilma Rousseff, a meta era induzir o crescimento, abrindo rotas. As empresas tinham de fazer duplicações mesmo sem demanda. Em troca, receberiam crédito, com taxas de juros subsidiadas do BNDES.

    O mercado diz que são as concessões da "tempestade perfeita", porque deu tudo errado. Afora o fato de o Brasil ter entrado na recessão, vencedores do leilão eram ligados a construtoras investigas na Lava Jato. O BNDES cortou o crédito. Descontando parte do que foi feito, estima-se que elas represem R$ 12, 5 bilhões em investimentos.

    A Galvão Engenharia, que levou a BR-153, é o caso extremo. Os acionistas foram presos, não recebeu um centavo do BNDES, não conseguiu nem construir praças da pedágio, mas já gastou R$ 220 milhões só na manutenção da estrada. "Podemos vender, devolver e até pedimos a caducidade, mas qualquer alternativa depende de definição legal que ainda não existe", diz Paulo Coutinho, presidente da concessionária. O governo organizou um grupo em busca de solução para essas empresas, mas ainda não chegou a uma definição.

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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  • Odebrecht perdeobra de aeroporto na capital da Líbia

    21/07/2017




    NOTICIA,
    Andrei Netto, correspondente

    PARIS - Banida do país desde a revolução que derrubou Muamar Kadafi, em 2011, a construtora brasileira Odebrecht perdeu em definitivo um de seus mais importantes contratos na África: a construção do novo Aeroporto Internacional de Trípoli. A obra era avaliada em ? 1 bilhão e deveria permitir o fluxo de 20 milhões de passageiros por ano. A companhia brasileira fazia parte de um consórcio de seis empresas, incluindo Vinci, da França; e TAV, da Turquia. Com a mudança de regime, a ambição do terminal também ficou menor: agora, o consórcio italiano Aeneas comandará a reconstrução de um terminal internacional com capacidade para 4,5 milhões de passageiros por ano, e de um nacional par 2,5 milhões de passageiros, segundo o diretor do Departamento de Projetos do Ministério dos Transportes, Sami Al-Aich. O grande projeto de Kadafi foi abandonado em favor de outro bem mais modesto, avaliado em ? 79 milhões. A obra do primeiro terminal é tratada como uma urgência pelo governo de união nacional do país, apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), porque o terminal anterior foi destruído ao longo da guerra civil que se seguiu à derrubada do regime. Há dois meses, as últimas milícias que ainda ocupavam o aeroporto foram derrotadas, e o governo central assumiu o controle da área O próximo passo é a retomada da obra, cuja primeira etapa precisa ser concluída em dez meses. Ambição Na era Kadafi, o projeto do Aeroporto Internacional de Trípoli era uma obra ambiciosa, criticada pelos opositores do regime como faraônica e suspeita de corrupção em larga escala. Nos sonhos do ditador, o aeroporto serviria como o grande hub na porta de entrada da África, assim como centro de distribuição da companhia aérea nacional, a Afriqiyah Airways. Hoje, em razão da guerra civil, todos os voos internacionais são realizados por companhias líbias a partir de um aeroporto militar, o de Mitiga, hoje saturado. Nos últimos meses, governo líbio de coalizão chegou a contatar emissários para convidar a Odebrecht a retomar os trabalhos, mas acabou optando pela contratação de um novo consórcio. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • FMI libera "em princípio" empréstimo à Grécia, mas exige alívio na dívida

    21/07/2017




    ECONOMIA


    Washington - O conselho do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou "em princípio" uma parcela de US$ 1,8 bilhão do empréstimo à Grécia, mas advertiu que ainda considera "insustentável" a dívida do país, a menos que ocorra um alívio significativo no montante por parte dos credores europeus de Atenas. O FMI concordou em apoiar o programa, mas disse que iria desembolsar o dinheiro apenas após a Europa concordar com um plano claro de alívio na dívida grega.

    Além disso, o FMI estabeleceu um limite de 325 bilhões de euros (US$ 374 bilhões) para quanto de dívida o governo central do país pode manter, o que deve manter a pressão sobre os parceiros da Europa e impedirá o governo grego de levantar dinheiro nos mercados no futuro próximo.

    O teto na dívida do governo grego - detalhado em documentos preparados bem antes da reunião da quinta-feira e assinado pelo governo grego - dá a Atenas e à Europa pouca margem de manobra em relação aos compromissos para reformar a economia e reestruturar a dívida do país.

    A Grécia ainda poderia voltar aos mercados para administrar sua dívida - trocando se conseguisse débitos antigos por novos bônus, com condições melhores, por exemplo -, mas o limite imposto impede a emissão de novas dívidas para aumentar o colchão de capital, como Atenas considerava fazer.

    Segundo versões anteriores dos documentos técnicos preparadas em abril, o limite de 325 bilhões de euros foi imposto inicialmente sobre a dívida do governo geral, dando à Grécia um espaço de cerca de 10 bilhões de euros. Parece, porém, que as consequências desse teto não foram percebidas no momento de sua assinatura. Autoridades familiarizadas com o assunto dizem que os dois lados se comprometeram e que os termos não podem agora ser alterados.

    Os parâmetros do FMI forçam a Grécia a se concentrar na implementação de reformas no âmbito do acordo, em vez de elevar sua dívida, segundo fontes ligadas ao assunto. Mas também pressiona mais os aliados da Europa a aliviar o débito.

    Os credores europeus da Grécia e o FMI têm mostrado divergências desde o início do terceiro pacote de ajuda ao país sobre quanto de desconto poderia ser oferecido a Atenas e quando. No mês passado, houve um acordo quando europeus concordaram com algumas medidas limitadas de alívio na dívida, que serão implementadas após o fim do acordo.

    O governo grego quer acessar os mercados privados para criar um colchão de capital, que poderia ser usado após o fim do pacote de ajuda, em agosto de 2018. Atenas também espera enviar um sinal de confiança de que o pacote funciona, apesar da falta de clareza sobre a dívida e da posição do FMI.

    A Grécia está fora do mercado internacional de bônus desde 2010, com exceção de um breve período em 2014. O governo avaliava ir aos mercados no começo da semana, mas a decisão foi cancelada quando ficou clara a barreira imposta pelo FMI, segundo autoridades. Além disso, políticos da Europa prometeram a seus eleitores que o pacote de ajuda grego está necessariamente atrelado ao envolvimento do FMI. Fonte: Dow Jones Newswires.

  • Biolab vai investir R$ 450 milhões em nova fábrica de medicamentos em MG

    21/07/2017




    NOTICIA,
    Mônica Scaramuzzo

    - A farmacêutica nacional Biolab anunciou nesta quinta-feira, 20, investimentos de R$ 450 milhões para construir uma nova fábrica. O laboratório vai ser erguido em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, e terá capacidade para produzir 200 milhões de unidades de medicamentos por ano. Uma das maiores farmacêuticas de capital nacional, com faturamento de R$ 1,25 bilhão em 2016, de acordo com a consultoria IMS Health, a nova unidade será projetada para atender também o mercado externo. Do total a ser investido, 40% serão bancados com recursos próprios do grupo. O restante será captado no mercado. Em entrevista, Cleiton Castro Marques, sócio e presidente do grupo, afirmou que a Biolab já estava planejando esse movimento de expansão há algum tempo. A atual crise econômica e política pela qual o País passa não afetou os planos da companhia. "O setor farmacêutico como um todo sofreu forte retração com a crise, mas mesmo assim deverá crescer 8% este ano. A expectativa é de que as vendas Biolab aumentem entre 8% e 10% este ano." As operações do novo complexo industrial devem começar a partir de 2020, ainda de forma parcial. O grupo, que tem três unidades produtivas, todas no Estado de São Paulo, ganhou incentivos fiscais do governo mineiro para construir sua nova unidade no Estado. Entre 2009 e 2012, o setor farmacêutico viveu um boom de investimentos, com a construção de novas unidades e também com movimentos de fusões e aquisições, sobretudo de multinacionais que buscavam laboratórios produtores de medicamentos genéricos. Esse movimento começou a se arrefecer nos últimos anos por conta da crise. "As multinacionais tiraram o pé do acelerador, mas não estão deixando de investir no País", afirmou Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindusfarma (Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Estado de São Paulo). Ele lamenta, contudo, que o Estado de São Paulo esteja perdendo investimentos do setor para outros Estados. "O governo do Estado de São Paulo tem de olhar com atenção os incentivos que estão sendo concedidos pelos Estados vizinhos. São Paulo tem perdido investimento por conta da guerra fiscal." Diversificação Líder em medicamentos de prescrição voltados para cardiologia e atuação em pediatria, ginecologia e ortopedia, a Biolab também está se preparando para expandir sua atuação no segmento veterinário. Atualmente essa divisão de negócio representa 1% da receita total do grupo, mas deverá ter relevância maior nos próximos três anos. Rentável O mercado veterinário voltado para animais de pequeno porte tem crescido no Brasil e esta será a aposta do grupo, segundo Marques. "O segmento de animais de grande porte tem margens menores e é mais competitivo." A Biolab, assim, segue o mesmo caminho de outros grupos, como as nacionais Eurofarma e a União Química. Na contramão de parte do setor farmacêutico, que tem olhado com atenção o segmento de dermocosméticos, a Biolab não quer ampliar sua atuação nesse setor. Interessa a Marques atuar em dermatologia, mas para medicamentos prescritos. A Biolab tem 276 pedidos de patentes em várias áreas da saúde, inclusive em inovação radical. Não interessa ao grupo farmacêutico entrar no segmento de medicamentos genéricos (cópias de remédios que perderam a patente). "Nosso foco será em inovação", disse o empresário.

  • Governo admite dificuldade para abastecer o Fundo de Amparo ao Trabalhador

    21/07/2017




    ECONOMIA
    Idiana Tomazelli

    Brasília - O governo admitiu a dificuldade crescente do Tesouro Nacional em complementar os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) necessários para pagar o seguro-desemprego e o abono salarial. A afirmação consta em nota técnica enviada pela área econômica ao deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), relator da Medida Provisória (MP) 777, que muda a taxa de juros que baliza os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e remunera o FAT.

    O governo ainda reconhece que a Taxa de Longo Prazo (TLP), criada pela MP, tem uma "volatilidade potencial". Esse ponto já havia sido destacado pelo presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, que disse em entrevista ao Estadão/Broadcast que a taxa seria "muito mais nervosa" do que a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), definida pelo governo a cada três meses. Isso, segundo Rabello, prejudica a previsibilidade do tomador de financiamentos.

    A TLP vai acompanhar as taxas das NTN-Bs, títulos públicos atrelados à inflação. As taxas de juros de títulos públicos refletem as condições da economia e quanto os investidores pedem para aceitar financiar o governo.

    A nota técnica é assinada pelo secretário executivo da Fazenda, Eduardo Guardia, pelo ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, e pelo presidentes do Banco Central, Ilan Goldfajn, além de Rabello. Nela, eles listam uma série de fatores que podem contribuir para a "maior previsibilidade" da TLP, como a ancoragem das expectativas dos agentes em relação à trajetória da inflação e a condução da "agenda de reformas".

    O governo diz que a TLP vai melhorar a remuneração do FAT. A estimativa é que o FAT deixa de receber R$ 15 bilhões pelo fato de o BNDES remunerar o fundo pela TJLP, hoje em 7%, abaixo da taxa de mercado - a Selic está em 10,25%. O déficit está na casa dos R$ 18 bilhões. Não há detalhamento de como os cálculos foram feitos, nem a qual ano se referem.

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • Gasolina pode ficar até R$ 0,41 mais cara na bomba

    21/07/2017




    ECONOMIA
    Eduardo Rodrigues e Idiana Tomazelli

    Brasília - Com a decisão do governo de aumentar o PIS/Cofins sobre os combustíveis para melhorar a arrecadação, o litro da gasolina vai ficar até R$ 0,41 mais caro nas bombas a partir desta sexta-feira, 21, caso haja repasse integral ao consumidor. A medida despertou a ira de entidades empresariais como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que já reclamavam da elevada carga tributária no País. Já a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) reclamou do egoísmo do governo federal ao elevar um tributo que não é compartilhado com os municípios.

    Para a gasolina, a alíquota mais que dobrou. Só de PIS/Cofins, o desembolso será de R$ 0,7925 por litro após a alta. O decreto com o aumento do tributo será publicado hoje no Diário Oficial da União (DOU) e tem vigência imediata.

    No caso do diesel, a alíquota subirá de R$ 0,2480 para R$ 0,4615 o litro nas refinarias, que podem repassar o valor integral ao consumidor.

    O etanol não escapou dos reajustes, embora representantes do setor tenham intensificado reclamações sobre a falta de competitividade do combustível diante do baixo preço da gasolina. Para o produtor, a alíquota subiu um centavo, para R$ 0,1309 por litro. Na distribuição, o impacto será mais forte, pois o PIS/Cofins estava zerado e passará a R$ 0,1964 por litro.

    A área econômica espera obter R$ 10,4 bilhões ainda este ano com os aumentos. Na nota divulgada ontem à tarde, o governo argumentou que a medida é "absolutamente necessária" para a preservação do ajuste fiscal e a manutenção da trajetória de recuperação econômica.

    A equipe econômica optou pelo aumento do PIS/Cofins porque a entrada de recursos nas contas públicas é imediato, em vez de demorar 90 dias como no caso da Cide. Outra vantagem é que o tributo reajustado não é dividido com Estados e municípios. A opção desagradou os prefeitos. "A crise afeta todos os entes federados e as soluções deveriam contemplar esse cenário", disse a FNP.

    Entidades que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff e deram respaldo ao governo Michel Temer divulgaram nota "indignadas" com a alta de tributos. A Fiesp, que em 2015 colocou um pato inflável na Avenida Paulista contra o aumento de impostos, ameaça retomar a estratégia. "Mantemos nossas bandeiras e convicções, independentemente de governos", disse a Fiesp, presidida por Paulo Skaf, filiado ao PMDB.

    Sem muitas saídas, a ala política do governo já procurava desde ontem minimizar o estrago pregando que o aumento não terá grande impacto no bolso do consumidor. Além disso, o efeito na inflação seria amenizado porque a gasolina tem sofrido seguidas reduções de preços. Esta é a segunda vez no ano que o governo aumenta impostos para tentar cumprir a meta de déficit primário de R$ 139 bilhões. Em março, foi anunciado o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras para cooperativas de crédito.

    O governo também tenta reonerar a folha de pagamento para 50 setores. A ideia era voltar a recolher a contribuição previdenciária sobre salários pagos, e não sobre o faturamento. A medida entraria em vigor este mês - e reforçaria em R$ 2,2 bilhões a arrecadação de tributos -, mas relatório aprovado no Congresso adiou a cobrança para 2018.

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • Decreto que aumenta PIS e Cofins sobre combustíveis é publicado

    21/07/2017




    ECONOMIA
    Luci Ribeiro

    Brasília - O Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira, 21, traz publicado decreto que eleva as alíquotas de PIS e Cofins sobre gasolina, diesel e etanol. Assinado ontem pelo presidente Michel Temer, o reajuste vai permitir a entrada de uma verba extra de R$ 10,4 bilhões ao caixa do governo até o fim do ano, segundo estimativas oficiais.

    O aumento é imediato e já está em vigor em todo o País. As alíquotas vão subir de 0,3816 centavos o litro para 0,7925 no caso da gasolina e de 0,2480 para 0,4615 no diesel. Quanto ao etanol, para o distribuidor, que não recolhia o tributo, agora a alíquota será 0,1964 e para o produtor a alíquota passa de 0,1200 para 0,1309.

    "O aumento das alíquotas do PIS/Cofins sobre combustíveis é absolutamente necessário tendo em vista a preservação do ajuste fiscal e a manutenção da trajetória de recuperação da economia brasileira", afirmaram os ministérios da Fazenda e do Planejamento em nota conjunta distribuída ontem.

    A alta da tributação faz parte da equação adotada pela equipe econômica para tentar equilibrar as contas deste ano e conseguir cumprir a meta fiscal de déficit R$ 139 bilhões este ano. Com isso, além do reajuste dos tributos, o governo também decidiu contingenciar mais R$ 5,9 bilhões dos gastos previstos no Orçamento de 2017, que já estava bloqueado em R$ 39 bilhões. "Esse valor deverá ser compensado por receitas extraordinárias que ocorrerão ainda este ano", cita a nota.

    A reprogramação do Orçamento, incluindo essas medidas, será explicada pelo Planejamento e a Receita Federal nesta manhã, quando divulgam o relatório de avaliação de receitas e despesas primárias referente ao terceiro bimestre do ano. A coletiva sobre o assunto está marcada para as 11 horas.

  • Lucro líquido da GE cai a US$ 1,19 bilhão no 2º trimestre, mas supera previsão

    21/07/2017




    NOTICIA,


    Nova York - A General Electric informou que seu lucro líquido recuou a US$ 1,19 bilhão no segundo trimestre, ou US$ 0,13 por ação, no segundo trimestre deste ano, de US$ 2,76 bilhões, ou US$ 0,30 por ação, em igual período do ano passado. Excluindo-se itens não recorrentes, o lucro ajustado por ação ficou em US$ 0,28, acima da previsão de US$ 0,25 dos analistas ouvidos pela FactSet. A receita da GE teve uma queda de 12% na mesma comparação, para US$ 29,56 bilhões no segundo trimestre de 2017, mas também superou a expectativa de US$ 29,14 bilhões dos economistas. A receita da companhia com petróleo e gás teve queda de 3%, para US$ 3,11 bilhões no segundo trimestre, mas superou a expectativa de US$ 2,93 bilhões dos analistas. A receita com energia aumentou 5%, para US$ 6,97 bilhões, o que superou a expectativa de US$ 6,64 bilhões, mas a receita estável com o setor de aviação, em US$ 6,53 bilhões, não atingiu a projeção dos analistas de US$ 6,70 bilhões. "A escala global da companhia, junto com nossa habilidade de inovar em produtos e serviços líderes na indústria, nos ajudará a avançar no atual ambiente e liberar produtividade em nossos serviços e mercados", afirmou o executivo-chefe da GE, Jeff Immelt, em seu último trimestre no comando da empresa. A partir de 1º de agosto, o executivo-chefe da empresa será John Flannery. Após a divulgação do balanço, a ação da GE subia 0,52% no pré-mercado, por volta das 8h (de Brasília). Fonte: Dow Jones Newswires.

  • Federação dos postos diz que aumento de imposto será repassado ao consumidor

    21/07/2017




    ECONOMIA
    Eduardo Laguna

    São Paulo - A Fecombustíveis, que representa aproximadamente 40 mil postos revendedores de combustíveis de todo o País, diz que o setor não tem condições de absorver e deve repassar integralmente ao consumidor o aumento das alíquotas de PIS/Cofins cobradas na venda de gasolina, diesel e etanol.

    "A margem de lucro na comercialização de combustíveis vem caindo. Hoje, está em torno de 12%. Não temos gordura para absorver parte do aumento de imposto", comenta o presidente da entidade, Paulo Miranda Soares. "Recebemos o anúncio com pessimismo. Achávamos que sairíamos da recessão e, de repente, nossa carga que já era alta, em torno de 40% a depender do Estado, sobe ainda mais", acrescenta.

    Estima-se que as novas alíquotas de PIS/Cofins representem uma alta de 36 centavos no preço do litro da gasolina vendida nos postos. O peso dos dois tributos na hora de abastecer o carro subiu de 31 centavos para 67 centavos, conforme cálculo que leva em conta a mistura de 27% de etanol anidro, cuja tributação é menor, na composição da gasolina comum.

    Na quinta-feira, na nota em que confirmaram o aumento dos impostos como medida que visa a reduzir o rombo das contas públicas, os ministérios da Fazenda e do Planejamento divulgaram tabela que mostra um aumento das alíquotas para 79 centavos, mas hoje a Receita Federal esclareceu ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, que essa cifra se refere à tributação da gasolina pura, antes da adição ao álcool.

    Soares, que tem uma rede de postos no Rio de Janeiro, conta que distribuidoras de combustíveis do Estado já estavam praticando hoje os novos preços. Segundo ele, o reajuste nas bombas tem impacto sobre o consumo porque, ainda que muitas vezes o uso de carro seja inevitável, os motoristas acabam buscando reduzir o quanto podem o número de viagens para fugir dos preços mais altos do combustível.

    "A expectativa era que o setor revendedor de combustível crescesse entre 1% e 2% neste ano, mas pelo que estamos vendo ficou mais difícil. Aumentos de combustíveis atingem rapidamente o consumo. Percebemos isso na hora", afirma o presidente da Fecombustíveis.

  • Abertura de capital da Biotoscana movimenta R$ 1,341 bilhão

    21/07/2017




    NOTICIA,
    Fernanda Guimarães

    São Paulo - A companhia farmacêutica Biotoscana, que tem sede na Colômbia, movimentou R$ 1,341 bilhão em sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) nesta sexta-feira, 21. Essa é a quinta abertura de capital na bolsa brasileira neste ano, cujas emissões de ações já superam os R$ 20 bilhões. Biotoscana será listada sob o código GBIO33 e seus estreia na B3 está marcada para a próxima terça-feira, 25. O papel da farmacêutica, que contou com elevada demanda dos investidores, foi precificado em R$ 26,50, ou seja, no centro da faixa indicativa de preço, que foi de R$ 24,50 a R$ 28,50. Do total da emissão, R$ 425 milhões vieram da oferta primária, ou seja, que irão diretamente para o caixa da companhia. O restante é referente à oferta secundária, ou seja, da venda de ações já existentes nas mãos de atuais acionistas, dentre eles o fundo de private equity Advent. Devido à alta demanda, os coordenadores da oferta colocaram, além do lote principal, a totalidade do lote adicional, o correspondente a 20% do primeiro lote, e ainda parte do suplementar. Por sua sede não ser no Brasil, a Biotoscana emitiu BDRs (Brazilian Depositary Receipt), ou os chamados certificado de depósito de valores mobiliários, que são valores mobiliários emitidos no Brasil que representam outro valor mobiliário emitido por companhias abertas com sede no exterior. Do dinheiro proveniente da oferta primária, 47,3% serão destinados para a redução de endividamento. O restante será usado para o resgate da totalidade dos Certificados de Ações Preferenciais (PECs). Esse papel foi emitido em 2015 em uma aquisição realizada pela empresa. Os coordenadores da oferta foram o JPMorgan (líder), Itaú BBA e BTG Pactual. A Biotoscana precifica seu papel na mesma semana que o Carrefour Brasil, cuja oferta movimentou R$ 5,1 bilhões. Para a próxima semana serão precificados mais dois IPOs: IRB Brasil Re e Ômega Geração.

  • Fazenda rebate BNDES e diz que subsídio à TJLP somou R$ 240 bi em dez anos

    21/07/2017




    ECONOMIA
    Idiana Tomazelli

    Brasília - Em meio à polêmica em torno da mudança na taxa de juros que baliza os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda divulgou nota técnica nesta sexta-feira, 21, para expor os valores pagos pelo governo em subsídios nos últimos dez anos. Em clara defesa à criação da Taxa de Longo Prazo (TLP), que vai refletir mais as condições de mercado, o texto mostra que o Tesouro Nacional bancou R$ 240 bilhões entre 2007 e 2016 só por conta da diferença entre a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), historicamente menor, e a taxa básica de juros, a Selic. Esse custo é o chamado subsídio implícito.

    A divulgação do documento pelo próprio secretário Mansueto Almeida em seu perfil no Twitter é mais um capítulo da queda de braço entre a área econômica do governo e o BNDES em torno da TLP. Antes, o banco de fomento já havia divulgado sua versão sobre os últimos anos no chamado Livro Verde. A ideia do documento do banco, segundo uma fonte, era elencar dados e mostrar que o BNDES também trouxe retornos ao Tesouro Nacional, não só gerou custos por meio dos subsídios implícitos nas taxas praticadas pela instituição.

    No Livro Verde, o banco de fomento diz que retornou ao Tesouro R$ 119,5 bilhões entre dividendos e pagamento de impostos entre 2006 e 2016. Os valores são nominais. Na avaliação do banco, o dado mostra que o "coeficiente de fomento", medido pelo subsídio implícito bancado pela União nas operações de crédito do BNDES, é menor do que o alegado.

    Nesta guerra de documentos, a Fazenda surge com uma "nova leitura" sobre o tema. Nos cálculos da pasta, só os subsídios implícitos ligados à TJLP custaram R$ 240 bilhões entre 2007 e 2016, a preços do ano passado, corrigidos pela inflação. Já a conta total de subsídios, implícitos e explícitos, em todas as operações, somaram R$ 723 bilhões no mesmo período.

    A área econômica diz ainda que a fonte de financiamento para alguns programas, inclusive os empréstimos do Tesouro ao BNDES nos últimos anos, provocaram a elevação da dívida bruta, gerando maior pressão fiscal e necessidade de endividamento.

    "Se somarmos ao total de subsídios pagos pela União nos últimos dez anos a emissão de mais de R$ 400 bilhões de dívida pública, para que o Tesouro emprestasse recursos para o BNDES fazer políticas setoriais demandadas pela União, a pressão fiscal no endividamento do setor público, decorrente de novas emissões de dívidas, alcançou mais de R$ 1,1 trilhão. A maior parte desse custo poderia ter sido evitada, se houvesse maior transparência da conta de subsídios do governo federal, exatamente o que propõe o governo atual com a mudança da TJLP pata a TLP", defende a nota técnica da Seae/Fazenda.

    A guerra de documentos sucede as críticas públicas do presidente do BNDES, Paulo Rabello de castro, em entrevista publicada no início do mês pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, e a posterior reação da área econômica. Rabello de Castro depois disse estar "totalmente vinculado" ao projeto, mas ainda há desconforto no governo, que tem buscado emitir sinais de alinhamento.

    Na quinta-feira, a área econômica encaminhou nota técnica conjunta ao relator da Medida Provisória (MP) que cria a TLP, deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), defendendo a medida. No entanto, o texto fala na "potencial volatilidade" da nova taxa de longo prazo, embora cite iniciativas que podem atenuar isso, como a agenda de reformas.

    Críticos da TLP dentro do banco de fomento comemoraram a inclusão deste trecho na nota ao relator. Entre funcionários do BNDES, a percepção é de que a medida traz "danos" e "inviabiliza o investimento de longo prazo".

    A nova TLP vai refletir mais de perto o custo de captação do Tesouro, eliminando o subsídio implícito ao longo de cinco anos. Isso porque o cálculo da taxa é vinculado NTN-B, título público atrelado à inflação. A ideia do governo é que a nova Taxa de Longo Prazo possa variar mês a mês, mas não mude uma vez fixada em determinado contrato de financiamento. Ela será aplicada em contratos assinados a partir do início de 2018, segundo a proposta do governo.