Notícias

  • Demanda do consumidor por crédito cresce 5,3% em janeiro, diz Serasa

    19/02/2018




    ECONOMIA
    Karla Spotorno

    São Paulo - A quantidade de pessoas que buscou crédito em janeiro cresceu 5,3% ante dezembro. Em relação ao primeiro mês do ano passado, o avanço foi muito maior: 20,3%. É o que mostra levantamento da Serasa Experian divulgado nesta segunda-feira, 19.

    O aumento da procura por crédito em janeiro aconteceu em todas as classes de renda, segundo a pesquisa. Entre as diferentes faixas de remuneração, o maior crescimento porcentual aconteceu entre os que recebem mensalmente mais de R$ 10.000 (+6,4%).

    De acordo com os economistas da Serasa Experian, o "recuo das taxas de juros com a expansão da oferta de crédito ao consumidor, aliado à melhora gradual do mercado de trabalho e à queda da inadimplência", impulsionaram a busca do consumidor por algum tipo de empréstimo.

    A maior demanda foi observada em todas as regiões do País. No Centro-Oeste, a alta foi de 7,4% em relação a dezembro/17. No Sul, ficou em 6,3%. No Sudeste, o avanço foi de 6,0%. Já no Norte e Nordeste, o crescimento foi de 4,4% e de 1,9%, respectivamente.

    O Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito é construído a partir de uma amostra de CPFs, consultados mensalmente na base de dados da empresa.

Filtre Por

Buscar: OK
  • 'Não dá para dizer uma coisa e fazer outra no governo'

    18/02/2018




    ECONOMIA
    Renata Agostini

    São Paulo - Amigo de longa data do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, Roberto Giannetti da Fonseca, ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior no governo FHC, prepara-se para compor a equipe de campanha do tucano ao lado do ex-banqueiro Persio Arida e do diretor da escola de Economia da FGV, Yoshiaki Nakano. Segundo ele, o perfil distinto dos integrantes do grupo é proposital. "Geraldo pensou: 'vou convidar pessoas em quem confio, que tenham pensamentos divergentes, liberais ou keynesianos, vou ouvi-los e decidir em cada caso'." A seguir, os principais trechos da entrevista.

    Poucos pré-candidatos contam com entusiasmo do eleitor. O que Geraldo Alckmin terá a seu favor?

    A população está ansiosa pelo novo. Mas a renovação tem de vir com experiência. Não adianta algo improvisado. O PSDB está em época de muda. Geraldo é o mais jovem dos velhos e o mais velho dos jovens. Ele pode fazer a renovação para que o PSDB assuma nova atitude política. Tem de acabar com a imagem de em cima do muro.

    Imagem baseada em fatos.

    Tem razão. Fui do governo Fernando Henrique Cardoso e quantas vezes hesitamos. Acabou essa época. Não importa se a verdade tirará votos. Não dá para dizer uma coisa na campanha e fazer outra no governo. Deveríamos pensar numa proposta para que eleitos no Executivo tenham de assinar contrato de gestão. O estelionato eleitoral de 2014 foi tão excessivo que temos de aprender que não dá para acreditar no que se fala.

    O mesmo questionamento poderia ser feito sobre a campanha para reeleição de FHC?

    Foi um discurso ilusório (sobre o câmbio). Persio saiu do Banco Central por isso. O presidente quis manter a banda cambial e deu no que deu. Houve erros também do PSDB. Temos de ter autocrítica. Agora em política cambial temos visão clara do que deve ser feito. Já discuti isso muito com Nakano e Persio.

    Qual é essa visão?

    Estamos formando consenso. Câmbio flutuante, mas expurgando efeitos de sobrevalorização que vêm da falta de controle do mercado financeiro. Não vejo interesse da economia brasileira em abrigar fluxo de capital especulativo cuja única função é ganhar arbitragem de juro no Brasil e valorizar o real. Há duas formas de fazer: tributando, com IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), ou colocando limites para as instituições em posição vendida de dólar e comprada em real.

    Não será lido como política de intervenção no câmbio?

    Algum tipo de intervenção o Banco Central tem de fazer para eliminar volatilidade. O que não pode é deixar os fluxos de capitais interferirem na taxa de câmbio de forma permanente e disfuncional. Porque os preços relativos afetam o desempenho da economia. A alocação de recursos depende deles. Se a indústria não tem preço bom que remunera o capital, não vou investir. O pessoal prefere investir no mercado financeiro a colocar dinheiro na economia real. E os desempregados? O tema da campanha de Geraldo será emprego e emprego.

    Os programas sociais têm de ser mantidos em sua opinião?

    Têm de ser repensados. São absolutamente necessários. Ninguém mais discute isso. Mas o que tem de sobreposição e fraude é inacreditável. Tem gente no Jardim Europa, aqui em frente, que deve ter seguro-desemprego e Bolsa Família.

    Considerando a composição do grupo de conselheiros, como Alckmin vai se posicionar? Não é estranho Nakano e Persio no time?

    Se pensássemos igual, bastaria ter um. Geraldo, que é muito perspicaz, pensou: ?vou convidar pessoas que confio, que têm pensamentos divergentes - não em tudo, mas em alguns pontos claramente divergentes -, liberais ou keynesianos, vou ouvir e decidir em cada caso a posição mais adequada?. Não há entre nós - eu, Persio, Nakano e José Roberto Mendonça de Barros - nenhum que terá predominância. Ele ouvirá todos e terá discernimento para buscar a melhor alternativa. Ninguém faz a cabeça do Geraldo. Sobre os mais variados assuntos, inclusive economia, ele sempre escuta opiniões divergentes, reflete e toma a decisão final.

    Então o governador não vai adotar uma linha específica.

    A ideia de esquerda, direita, liberal... Isso é coisa do século 20. No século 21, as pessoas têm de ser pragmáticas e ver o que funciona. Quais são as boas experiências de políticas públicas que têm dado resultado? É preciso fazer um blend, um mix.

    Mendonça de Barros está dentro? Ele tem dito que não.

    Ele têm conversado com Geraldo, mas não houve convite formal. Nem é a hora do Geraldo fazer isso, porque ele não é candidato. Individualmente, cada um está trabalhando, mas não existe equipe de campanha.

    Ir na linha de defender o que funciona, sem se identificar com uma linha específica, não dará ideia de estar em cima do muro?

    Não, porque teremos posição firme. A favor da privatização? Somos sim. Em 2006, não estavam claras certas posições do partido. De lá para cá, vimos um ataque às estatais pelos políticos, corporativistas. Vamos privatizá-las, porque aí elas serão realmente do público. Os brasileiros que têm poupança poderão investir na Petrobrás e ganharão dinheiro. E com golden share do governo, para impedir qualquer tentativa de tomada de controle hostil ou desnacionalização. Não é vender ao capital estrangeiro, como diz o PT. Isso nem passa por minha cabeça.

    Os pré-candidatos de centro e de direita têm se colocado como liberais. Como atrair esse eleitor?

    Mostrando que nossa política tem mais consistência. A visão de que o mercado tudo resolve é ingênua. E 2008 já nos deu a lição de que, quando há desregulamentação excessiva sem fiscalização, a coisa pode desandar. Nossa proposta tem mais equilíbrio e confiabilidade. O debate econômico será sério. Respeito todos eles: Arminio Fraga, Paulo Guedes, Edmar Bacha. Se dentro da campanha do Geraldo haverá divergências, que dirá fora. Teremos humildade de reconhecer se houver ideia melhor. Vamos misturar um pouco de Keynes e Hayek (Friedrich Hayek, economista liberal). Esse debate nunca se resolverá e temos de apostar nos dois.

    Capital estrangeiro é sempre bem-vindo em sua opinião?

    Temos de ser um pouquinho mais seletivos. Ele não pode vir de forma incondicional e sem nenhum compromisso ou reciprocidade. Recursos naturais, agronegócios, energia: não dá para deixar a porta aberta e seja o que Deus quiser. Tem de ter um pouco de compromisso por parte dos investimentos estrangeiros. Indústria de transformação que vem só explorar o mercado interno e não tem nenhum compromisso de exportação? Colocar o Brasil nas cadeias globais implica aqui ser plataforma de produção para o mundo. Essa é uma nova atitude em relação ao capital estrangeiro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • TCU, burocracia e eleições empurram leilões para 2019

    18/02/2018




    ECONOMIA
    André Borges

    Brasília - O calendário de concessões e privatizações federais este ano concentra no último trimestre operações que somam investimentos de R$ 45 bilhões. Para economistas e especialistas do setor de infraestrutura, no entanto, é pouco provável que esses leilões de fato sejam realizados este ano. Primeiro, porque a programação coincide com o período eleitoral, de grandes incertezas políticas. Também pesam contra os processos de audiência pública, auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e trâmites burocráticos de licenciamento ambiental. Esse conjunto de fatores deve empurrar o cronograma para 2019.

    "Esse calendário não é viável. Estamos falando de investimentos pesados e complexos, que demandam estudos aprofundados. O investidor precisa traçar cenários, mas ele nem sabe o que virá em outubro", comenta Paulo Lins, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre FGV). "Acredito que nada disso acontecerá neste ano. Tudo vai parar perto das eleições."

    Para Adriano Pires, presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), parte dos projetos previstos pelo governo só tem chance de avançar no último trimestre do ano se houver candidaturas de peso à Presidência da República alinhadas aos planos do governo. "O calendário político vai ditar isso. Os investidores não são bobos. Tudo depende do candidato que estiver liderando as pesquisas."

    Os R$ 45 bilhões referem-se a investimentos assumidos pelos concessionários ao longo do período da permissão. Não é dinheiro para engordar o caixa do Tesouro Nacional. O último relatório de avaliação de receitas e despesas do governo federal prevê uma receita com concessões de R$ 20,244 bilhões este ano.

    O valor subiu R$ 1,35 bilhão em relação à estimativa anterior, que era de R$ 18,89 bilhões. Essa alteração incorpora a 15 ª rodada de concessões na área de petróleo e a 4ª rodada de áreas do pré-sal sob o regime de partilha - previstas ainda para o primeiro semestre -, além da redução das receitas no setor de aeroportos depois do processo de reprogramação de outorgas aprovados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

    PPI

    A escala do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) prevê para o último trimestre a oferta de 13 aeroportos, seis rodovias e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), na Bahia, que não tem sequer a definição sobre onde será seu terminal portuário. O pacote pré-Natal traz ainda a privatização da Casa da Moeda, das Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (CEA Minas), da Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais (Casemg) e da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa).

    O PPI foi uma das primeiras iniciativas do governo Temer, em 2016, na tentativa de recuperar a economia incentivando investimentos privados em projetos de infraestrutura. Em agosto do ano passado, sob pressão para fechar as contas públicas, o governo anunciou a intenção de privatizar 57 empreendimentos, incluindo o aeroporto de Congonhas - depois retirado da lista -, a Eletrobrás e a Casa da Moeda. A expectativa era obter R$ 40 bilhões em bônus.

    Viabilidade

    Ainda há sérias dúvidas sobre a viabilidade de oferta de outros empreendimentos estratégicos, como a Ferrogrão, que tem previsão de ser concedida no segundo trimestre. A construção da ferrovia que ligaria Mato Grosso e Pará está estimada em R$ 15 bilhões. A etapa de consulta pública foi concluída pelo governo, mas o TCU não tem ainda parecer prévio sobre o projeto.

    A exceção dos planos de concessão e privatização, segundo especialistas, fica por conta do setor elétrico e de petróleo. A privatização da Eletrobrás, apesar das dificuldades que enfrenta para avançar no Congresso, é vista com bons olhos pelo mercado, independentemente do cenário político, dada a qualidade dos ativos que estão nas mãos da estatal, praticamente metade do parque elétrico brasileiro.

    No setor de petróleo, a projeção é de um megaleilão com a oferta de áreas do excedente da chamada cessão onerosa em meados de junho, com perspectiva de receitas que variam entre R$ 75 bilhões e R$ 90 bilhões. A expectativa do governo com esse certame é grande, porque pode resultar em outorgas bilionárias, com impacto direto no caixa.

    Não é o que ocorre com os leilões de rodovias e ferrovias, por exemplo, onde o governo busca, basicamente, um investidor disposto a assumir o projeto e fazer investimentos ao longo das concessões. "A grande jogada do governo neste ano é a extensão da cessão onerosa do petróleo. Isso sim é algo factível. Outros projetos de infraestrutura logística tendem a encontrar dificuldades", disse Adriano Pires, do Cbie.

    As distribuidoras de energia no Norte e no Nordeste do País estão com leilão previsto para o segundo trimestre do ano também. Na semana passada, a assembleia-geral de acionistas da Eletrobrás aprovou a privatização das empresas e retirou um dos maiores entraves ao processo, deixando a dívida das companhias, de R$ 19,7 bilhões, integralmente com a holding.

    Assim, as distribuidoras podem ser adquiridas "limpas" pelos novos investidores. A intenção é leiloar seis distribuidoras até 30 de abril. A secretaria do Programa de Parceiras de Investimentos (PPI) foi procurada para comentar o assunto, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.

    Para lembrar

    Auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitaram integralmente a minuta do edital e os estudos para a primeira concessão de rodovia prevista para este ano, a Rodovia de Integração do Sul (RIS).

    A conclusão é que o estudo que baseou a minuta, feito pela empresa candidata à concessão, "omitiu importantes investimentos" necessários para o trecho, apresentou "diversas inconsistências" e "assimetria de informações", além de favorecer a inclusão de aditivos contratuais após a realização do leilão, favorecendo a empresa com o aumento de tarifas de pedágio.

    Com base nas constatações sobre este projeto, o TCU decidiu que vai fiscalizar cada um dos contratos que o governo firmou desde 2015 seguindo a modelagem de Procedimento de Manifestação de Interesse Público (PMI), que repassa da União para a iniciativa privada a elaboração de estudos que asseguram a viabilidade das concessões.

    O secretário de coordenação de projetos da Secretaria Especial do PPI, Tarcísio Gomes de Freitas, disse que o governo irá contestar a avaliação da área técnica do TCU. O governo também já deixou de usar o modelo de PMI nas concessões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • Sindicatos tentam manter cobrança de contribuição proibida pela reforma

    18/02/2018




    ECONOMIA
    Luciana Dyniewicz e Luiz Guilherme Gerbelli, Especial para o Estado

    São Paulo - Três meses após a reforma trabalhista entrar em vigor e proibir a contribuição obrigatória, sindicatos se articulam para tentar manter sua principal fonte de receita, que costumava ser cobrada em março. As principais centrais sindicais do País estão orientando suas filiadas a realizarem assembleias extraordinárias com o objetivo de colocar em votação a continuidade da contribuição.

    A atuação dos sindicatos deve reforçar um impasse jurídico. Apesar de a reforma ter transformado o recolhimento obrigatório em facultativo, os sindicatos defendem que, se a contribuição for aprovada em assembleia, ela se torna válida para todos os trabalhadores da categoria, um entendimento que não é unânime. Para governo, advogados e sindicatos patronais, o trabalhador que deseja fazer a contribuição deve se manifestar de forma individual para a empresa. O imbróglio está no Supremo Tribunal Federal (STF).

    "Nossa orientação é para que todos os sindicatos realizem esse tipo de assembleia", afirma o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves. "A interpretação é que a decisão tomada na assembleia vale para todos os trabalhadores da categoria." A Força Sindical tem 1.707 sindicatos filiados e, em janeiro, distribuiu entre eles um modelo de como realizar a assembleia.

    A União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) também repassaram orientações aos sindicatos para que realizem assembleias com o objetivo de garantir a sobrevivência da contribuição. A UGT tem 1.216 entidades filiadas e a CTB, 778. "Na nossa visão, não está expressa na lei a necessidade de haver uma manifestação individual", afirma o assessor jurídico da CTB, Magnus Henrique de Medeiros Farkatt.

    Das grandes centrais do País, apenas a CUT não se movimenta de forma semelhante. "Não há uma orientação para todos", afirma o secretário-geral da CUT-SP, João Cayres. A contribuição sindical é a principal fonte de receita das centrais. Do total arrecado, elas ficam com 10% e os sindicatos com 60%. O valor também é dividido entre a federação da categoria (15%), o governo (10%) e a confederação nacional (5%). Em 2016 - último ano com dado disponível -, as centrais arrecadaram R$ 202,4 milhões, segundo o Ministério do Trabalho.

    As centrais e o sindicatos têm se valido de um documento da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra) que afirma que a contribuição sindical tem natureza de imposto e, portanto, só poderia ser modificada por uma lei complementar - a reforma trabalhista se deu por meio de uma lei ordinária. O texto da Anamatra diz também que uma decisão feita em assembleia tem força para valer por toda a categoria.

    Esse documento, entretanto, não tem valor legal. Ele foi elaborado de forma "acadêmica", segundo o presidente da entidade, Guilherme Feliciano, em um congresso que reuniu a comunidade jurídica em outubro do ano passado.

    "Há uma resolução da Anamatra que fala sobre isso, que a assembleia é soberana. Nós cumprimos todos os trâmites legais determinados pela reforma e fizemos a convocação de todos, não apenas dos associados", diz a presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco, Eunice Cabral.

    No início deste mês, as costureiras aprovaram em assembleia a continuidade da contribuição. O encontro teve a participação de 1 mil trabalhadores. Ao todo, o sindicato representa 65 mil pessoas. "Sem a contribuição para os sindicatos, vamos voltar para a escravidão", diz Eunice.

    O Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (Seesp) também já fez sua assembleia e aprovou a continuidade da cobrança. Segundo Péricles Cristiano Batista Flores, segundo secretário-geral da entidade, os hospitais privados serão notificados da decisão. "A posição é que a contribuição tem caráter de imposto. Ninguém pode se opor ao IPTU. Isso vale para a contribuição sindical também."

    Na avaliação do Ministério do Trabalho, no entanto, com a nova legislação, cabe ao trabalhador e à empresa decidir pelo pagamento. A mesma avaliação tem a Fecomércio, uma entidade patronal.

    Estratégia. Para se precaver de uma possível batalha judicial, o Sindicato dos Padeiros de São Paulo tem realizado assembleias nas empresas.

    Nos encontros, os sindicalistas já colhem as assinaturas dos trabalhadores que desejam fazer a contribuição e enviam para a direção das empresas. "Estamos fazendo assembleias de madrugada, em vários turnos. Vejo uma alta aprovação para a continuidade do desconto", afirma o presidente do sindicato, Francisco Pereira de Sousa Filho.

    O advogado Antonio Carlos Aguiar, doutor em Direito do trabalho e sócio do Peixoto & Cury Advogados, entende que essas autorizações prévias são essenciais para a cobrança e que uma assembleia da categoria não dá ao sindicato o direito de realizar o desconto. "O sindicato precisa de uma autorização prévia", frisa.

    A divergência sobre o poder da assembleia para a continuidade ou não da contribuição sindical não surge à toa. Os advogados afirmam que há pouca clareza sobre o que a reforma trabalhista estabeleceu para o tema. "A lei está mal redigida, vai dar margem para discussão", afirma a sócia do escritório Benhame Advogados, Maria Lucia Benhame. "Esses acordos (feitos em assembleias) vão ser passíveis de serem declarados nulos mais tarde." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • 'Melhora da economia pode ter fôlego curto', diz Marcos Lisboa

    17/02/2018




    ECONOMIA
    Renée Pereira

    São Paulo - O economista Marcos Lisboa, presidente do Insper, afirma que uma possível suspensão da reforma da Previdência por causa da intervenção no Rio deve agravar ainda mais o quadro de degradação da política pública. Na avaliação dele, as consequências da falta de reformas (especialmente a previdenciária) já estão espalhadas pelo Brasil inteiro, com a piora da segurança pública e a infraestrutura precária. "É um quadro que já está aí e vai se agravar. Haverá piora progressiva da qualidade da política pública."

    A avaliação do mercado é que a intervenção no Rio deve enterrar a reforma da Previdência. Quais os reflexos disso?

    Está cada dia mais difícil. Quanto mais se demora para fazer as reformas necessárias, maior é o quadro de degradação da política pública. A segurança falha (como no Rio); a manutenção de viadutos não é feita; problemas de infraestrutura em vários lugares vão surgindo, como falta de acesso à água; há atraso de salários, de aposentadorias e de pagamento de fornecedores.

    Há um prazo limite para se fazer a reforma da Previdência?

    Não é que haja uma data limite, mas a medida que você não faz as reformas - e a Previdência é a mais importante -, o dinheiro vai acabando e você tem de cortar em algum lugar. E começam cortando a manutenção. O que vai ocorrer é que, na medida que o dinheiro vai acabando, você vai cortando ciência e tecnologia, manutenção de estrada, investimento em saneamento. Os relatos estão pipocando e estamos vendo uma série de casos espalhados pelo Brasil, com uma infraestrutura deficiente.

    A tendência é piorar?

    É um quadro que já está aí e que vai se agravar. Haverá uma piora progressiva na qualidade da política pública com a falta do dinheiro. Quando você para de fazer manutenção em estradas e em saneamento, você está criando um problema para o futuro. O viaduto que caiu (semana passada) em Brasília não é resultado de apenas um ano sem investimento, mas de vários. Sem dinheiro, corta-se a manutenção. Já estamos vendo as consequências da crise fiscal. A degradação da violência e das estradas é o retrato disso.

    E onde isso pode chegar?

    O que tem agora é o debate em torno da regra de ouro. Chega uma hora em que a despesa obrigatória do governo federal fica maior que a receita corrente líquida. Se não há recursos extraordinários, como os do BNDES neste ano, o governo precisa de empréstimo para pagar a despesa corrente. No fundo, ele estará tomando empréstimo para pagar a Previdência. A regra de ouro proíbe essa prática. Se começa a fazer isso, perde-se o controle. É insustentável a médio prazo.

    Deixar a reforma para o próximo governo significaria ter uma reforma mais rígida?

    Vai ser cada vez pior. O gasto da Previdência cresce acima do PIB por causa do envelhecimento da população. Quanto mais demora, mais grave fica o quadro. A questão é que, embora a Previdência seja a mais importante, é preciso fazer outras coisas para equilibrar as contas públicas.

    A retomada econômica pode ser interrompida?

    De um ano e meio para cá, houve uma inflexão grande da política econômica, que terminou com maior responsabilidade para enfrentar o problema fiscal. Teve a PEC do Teto, a reforma trabalhista, melhora na governança da Petrobrás e da Caixa. Houve uma agenda importante que permitiu a queda dos juros e da inflação. Na hora que houve melhora na condição da política econômica, o mercado passou a acreditar que o futuro não seria tão ruim. Hoje, estamos colhendo os frutos da melhora da política econômica iniciada no fim de 2016. Este ano seria de alívio e de recuperação da economia. O risco é perder a oportunidade de continuar essa trajetória boa. A melhora pode ter fôlego curto. Se tem um desequilíbrio fiscal deste tamanho, como vai fazer ajuste? Vai aumentar imposto? Vai cortar despesas? Se você não sabe como vai ser o ajuste, como vai investir?

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • Após ser colocada à venda sem sucesso, Flora, da J&F, tenta voltar ao lucro

    17/02/2018




    NOTICIA,
    Mônica Scaramuzzo e Renata Agostini

    São Paulo - Após extinguir marcas, reduzir o número de mercadorias do portfólio e relançar alguns de seus principais produtos, a Flora, empresa da J&F que é dona do detergente Minuano e do condicionador Neutrox, vai concentrar esforços para voltar ao azul em 2018. A expectativa era registrar lucro no ano passado - a companhia opera no vermelho desde 2013 -, mas a empresa de higiene e limpeza dos irmãos Batista, que se tornaram delatores, teve de colocar na conta as despesas jurídicas do acordo de leniência firmado pelo grupo, frustrando os planos. O trabalho de reestruturação financeira da companhia começou há quase três anos, com a chegada do executivo José Vicente Marino, ex-Natura e Johnson & Johnson, a pedido de Joesley, que estava à frente da holding J&F, mas foi preso no ano passado. Depois que as delações dele e de seu irmão Wesley vieram à tona, em maio último, a Flora e outros importantes negócios do grupo, como Alpargatas, Eldorado e Vigor, foram colocados à venda para reforçar o caixa dos Batistas. A Flora foi a única que não atraiu investidor, segundo fontes de mercado. "Nunca trabalhei com a pressão de vender a empresa", disse Marino ao jornal O Estado de S. Paulo. O executivo reconhece, contudo, que a Flora esteve entre os ativos que foram colocados à disposição do mercado pela família. Segundo ele, seu foco na empresa é outro: aumentar a rentabilidade. "Estamos conseguindo." Em 2015, quando assumiu a Flora, a geração de caixa (Ebitda) foi negativa em R$ 36 milhões. "No ano seguinte, encerramos com geração positiva de R$ 31 milhões e a previsão é de fechar 2017 com Ebitda de R$ 63 milhões." O endividamento da empresa está próximo da R$ 2 milhões, ante R$ 149 milhões em 2016. O balanço dever ser divulgado no início de março. As vendas líquidas devem ficar em R$ 977 milhões, ligeiro recuo de 2,7% sobre 2016. A melhora em alguns dos indicadores pode ser creditada a ajustes na operação. Nos últimos meses, o portfólio ficou menor. O número de produtos caiu de 250 para 195. Outra estratégia foi aumentar o preço das mercadorias, como o do sabonete Francis, que mudou de embalagem e de fórmula e teve reajuste de 40% no valor cobrado nos últimos três anos. Vista como uma empresa com produtos de segunda linha pelos rivais, a Flora quer mudar sua imagem. "A estratégia da Flora era fazer o que os outros faziam um pouquinho pior e vender um pouquinho mais barato. Isso acabou", disse Marino. Hoje, nenhum dos produtos do portfólio é líder em seus segmentos. Minuano, carro-chefe da empresa, é a quinta no ranking de sua categoria, segundo dados da Euromonitor. Este ano, a empresa aposta ainda no aumento das vendas diretas com o pequeno varejo. Nos próximos meses, começará a testar uma operação online, por meio da qual pequenos comerciantes de São Paulo poderão encomendar os produtos. Desafio Uma fonte do mercado financeiro, que preferiu não se identificar, afirmou que a companhia tem um trabalho difícil pela frente, uma vez que compete com gigantes multinacionais no Brasil, como Unilever, L'Oréal, Colgate e P&G. Para essa fonte, não há interesse entre as rivais, pelo menos por ora, em adquirir a Flora. Houve tentativa, no ano passado, de vender marcas separadas da Flora. Marino nega. Outro desafio, segundo um concorrente da Flora, é em distribuição. Com boa presença no Rio, Marino afirmou que a companhia está revendo esse processo e já está negociando diretamente com o pequeno varejo na cidade de São Paulo. A recuperação da economia tem dado ânimo à companhia e ao setor, após dois anos de retração. Segundo dados preliminares da Associação da indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (Abihpec), as vendas cresceram 5% em 2017. "Nos três primeiros meses do ano passado, vimos que o fundo do poço tinha alçapão. A sociedade agora está começando a criar confiança", disse João Carlos Basílio, presidente da associação. Segundo ele, a alta nas vendas deve se manter em 2018. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • TCU fará pente-fino em estudo de concessões

    17/02/2018




    ECONOMIA
    André Borges

    Brasília - O Tribunal de Contas da União (TCU) vai fiscalizar cada um dos contratos que o governo firmou desde 2015 com a iniciativa privada para elaboração de estudos técnicos que embasaram concessões de infraestrutura. O alvo são os contratos em que a União repassa para a iniciativa privada o desenvolvimento de estudos que asseguram a viabilidade das concessões, chamados de Procedimento de Manifestação de Interesse Público (PMI).

    A decisão foi tomada após auditoria realizada na contratação da empresa Triunfo Participações e Investimentos (TPI), dona da concessionária Concepa. Companhia, que foi a única a entregar estudos técnicos para embasar a concessão da Rodovia de Integração do Sul (RIS), 473 quilômetros que integram trechos das BR-101 no Rio Grande do Sul com mais três rodovias federais, já atua no trecho da BR-290 entre Porto Alegre e Gravataí, estrada que integra a nova concessão planejada pelo governo.

    Vantagens

    Conforme reportagem publicada na sexta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, relatório dos auditores do TCU aponta que documentos apreendidos pela Polícia Federal na Operação Cancela Livre - de agosto de 2017 para apurar possíveis fraudes e desvio de recursos públicos pela empresa durante a execução de obras na BR-290 - indicam que a empresa teria omitido intervenções relevantes e necessárias para a concessão da RIS.

    Tratava-se, segundo o tribunal, de "vantagem competitiva de não inclusão de obras de ampliação de capacidade na BR-290 (RS), pois seriam incluídas em futuro pedido de reequilíbrio contratual".

    A Triunfo declarou que os estudos que entregou "seguiram todos os requisitos do edital" e que apresentou seus documentos em julho de 2016, que "poderão sofrer ajustes que o Ministério dos Transportes entender adequados".

    No processo que analisou os estudos para a concessão do trecho gaúcho, o TCU deixa claro que "a apuração dos fatos e responsabilidades acerca de eventuais irregularidades cometidas no âmbito do PMI será realizada oportunamente".

    O entendimento é de que as empresas que já atuam nos trechos têm informações privilegiadas. Por isso, o tribunal atua para coibir eventual manipulação de dados que pudesse favorecer empresas envolvidas nos leilões.

    O governo não realiza mais contratações por meio de PMI, mas decidiu levar adiante quatro estudos de concessões de rodovias que já estavam em andamento. Os estudos passaram por análises da Empresa de Planejamento e Logística (EPL). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • Privatização da Eletrobras pode atrasar

    17/02/2018




    ECONOMIA
    Anne Warth, Igor Gadelha, Daiene Cardoso, Isadora Peron e Adriana Fernandes

    Brasília - O decreto de intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio pode atrapalhar os planos de privatização da Eletrobras, embora não tenha efeito direto sobre o processo. A prioridade no Congresso agora passa a ser a pauta da segurança pública, como disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele citou na sexta-feira, 16, a necessidade de endurecer e modernizar leis relacionadas ao tráfico de drogas e armas e de integração do sistema de segurança nacional.

    Questionado se o decreto iria causar atrasos no cronograma de votação do projeto de privatização da companhia, Maia disse apenas que a intenção "nunca foi votar o projeto em fevereiro ou março". A previsão dele é que as discussões durem entre 40 e 60 dias na Câmara. A privatização da companhia é um dos principais itens da pauta econômica de 2018, por conta do reforço de caixa para o Tesouro de, pelo menos, R$ 12 bilhões.

    "O calendário do projeto de lei da Eletrobras está tranquilo", minimizou o deputado, que, antes da intervenção, previa que a proposta iria a votação no plenário em abril. Maia afirmou que o decreto da intervenção provocou uma "antecipação da pauta da segurança", que, até então, estava na agenda da Câmara e do Senado para depois da reforma da Previdência.

    O relator da proposta de privatização da Eletrobras na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), disse que mantém a intenção de votar o projeto de lei na segunda metade de abril.

    "Claro que temos de ouvir as pessoas: governo, economistas, especialistas. Mas acho possível prepararmos o relatório e votarmos em abril. Foi o que combinei com Maia", afirmou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. O presidente da comissão será o deputado Hugo Motta (MDB-PB).

    A desestatização da companhia será tratada por meio de projeto de lei já enviado ao Congresso pelo Executivo. Não há impeditivo direto, pois o decreto de intervenção no Rio inviabiliza apenas alterações na Constituição, como a proposta de emenda constitucional (PEC) sobre a reforma da Previdência.

    Mas a votação pode atrasar, caso os parlamentares desistam de pautar o projeto para discutir a questão da segurança pública. Procurado, o Ministério de Minas e Energia não se pronunciou a respeito das dificuldades adicionais na votação do projeto de lei.

    Embora o governo oficialmente ainda insista na reforma da Previdência, a privatização da Eletrobras passa a ocupar o primeiro lugar na lista de prioridades da agenda econômica este ano. A avaliação da área econômica é que a privatização será peça importante no quebra-cabeça do ajuste fiscal de 2018. O desafio, porém, será enfrentar os partidos de oposição, a bancada mineira e os deputados do Nordeste, todos contra o projeto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • Para juristas, revogar e retomar intervenção é inconstitucional

    17/02/2018




    ECONOMIA
    Marcelo Osakabe, Fabrício de Castro e Amanda Pupo

    São Paulo e Brasília - O presidente Michel Temer não pode simplesmente suspender a intervenção federal na segurança pública no Estado do Rio apenas para votar a reforma da Previdência, avaliou o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Velloso. A medida pode gerar uma enxurrada de ações no STF, advertem juristas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. No limite, o presidente Temer poderia incorrer em crime de responsabilidade.

    "Acho que isto não é hipótese constitucional (a suspensão do decreto para ser votada uma emenda constitucional). Ou cessam os motivos da intervenção ou ela continua. A intervenção se faz em benefício de quem? É da sociedade", afirmou Velloso. "Isso não seria admissível, do ponto de vista do Direito Constitucional puro. Se daqui a um mês, dois meses, achar que precisa realmente votar, e se entender que cessaram os motivos que levaram ao decreto, aí sim. Mas é preciso que se verifique a cessão dos motivos. Intervenção é algo muito sério, uma grave enfermidade no sistema federativo."

    Velloso lembra que, ao contrário da edição do decreto de intervenção, que precisa ser votado pelo Congresso, a sua suspensão antes de terminado o prazo estabelecido no próprio texto (31 de dezembro) depende apenas de uma declaração do presidente. O ato, no entanto, pode ser contestado por atores capacitados para propor uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI), como partidos políticos, o procurador-geral da República (PGR) e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

    "É possível sim (a contestação). A corte constitucional, como guardiã da Constituição, desde que haja uma violação a preceitos, pode ser chamada a decidir", disse ele. "Claro que vai agir com a maior prudência, porque haveria, no caso, uma questão de interferência de um poder em outro. Mas, provocada, teria de decidir."

    'Puxadinho'

    Para o professor de Direito Público Carlos Ari Sundfeldd, da FGV Direito-SP, caso o governo revogue a ação federal para permitir a votação, ficará sujeito a uma série de questionamentos no STF. "Se a Constituição diz que não pode votar durante a intervenção e o governo revoga a intervenção para fazer isso, alguém pode ir ao Supremo questionar a validade da votação", disse. "Vão dizer que se está fazendo uma maquiagem para burlar a proibição. Se a reforma for aprovada com este drible, os opositores vão querer impugná-la."

    Juridicamente, seria uma operação complexa. O governo precisaria editar novo decreto revogando o decreto de intervenção. Depois de votada a Previdência, ele teria de editar um novo decreto, retomando a intervenção. "Não acho isso comum, porque a intervenção tem de ter um prazo e uma amplitude. Pode haver outro decreto daqui a alguns meses, mas isso seria uma 'solução brasileira'", diz o professor de Direito Constitucional Marcelo Figueiredo, da PUC-SP.

    Para ele, a interrupção no meio do caminho seria possível, mas não "lógico, nem desejável".

    O especialista em Direito Constitucional Daniel Falcão, da USP, é mais taxativo. Diz que revogar a intervenção para votar a Previdência é inconstitucional. "É uma espécie de artifício que não deveria acontecer. Um 'puxadinho' constitucional", afirma.

    Já o advogado constitucionalista Adib Abdoun entende que usar a necessidade de aprovar a reforma para justificar o fim da intervenção pode imputar crime de responsabilidade ao presidente da República. "Ele decretou com a justificativa de manter a segurança do Estado. Então, finalizar a intervenção sob esses motivos é um desvio de finalidade", diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • China promete salvaguardar interesses, caso EUA limitem compra de aço e alumínio

    17/02/2018




    ECONOMIA


    - Pequim, 17 (AE) - A China reagiu neste sábado, um dia após o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que avalia a imposição de tarifas sobre aço e alumínio. Essas medidas, caso confirmadas, afetariam exportadores chineses e poderiam levar a uma guerra comercial.

    Em comunicado divulgado online neste sábado, uma autoridade do Ministério do Comércio chinês afirmou que Pequim iria "tomar as medidas necessárias para salvaguardar seus direitos legítimos", caso os EUA levem adiante medidas que prejudiquem os interesses chineses.

    O Departamento do Comércio dos EUA divulgou na sexta-feira detalhes sobre opções apresentadas ao presidente para proteger a indústria americana da concorrência estrangeira. As recomendações, em parte motivadas por preocupações com a China, incluem uma combinação variada de cotas e tarifas, voltadas para impulsionar a produção dos EUA de alumínio e aço.

    Diretor do escritório de investigação do Ministério do Comércio, Wang Hejun afirmou que o uso do governo Trump da segurança nacional como uma justificativa para novos limites era muito abrangente e poderia "facilmente levar a abuso". "Caso os países sigam o exemplo dos EUA, isso poderia ter um sério impacto sobre a ordem do comércio internacional", advertiu.

    Wang disse que a China pediu Washington seja comedido e cumpra as regras do comércio multilateral. Ele acrescentou que os EUA não devem ter uma abordagem de "prejudicar o vizinho", linguagem usada por Pequim geralmente para descrever medidas que beneficiam um país às custas de outro.

    A China foi o quarto maior fornecedor de alumínio para os EUA nos primeiros dez meses de 2017, representando cerca de 9,5% de todas as importações americanas, segundo dados da sexta-feira do Departamento do Comércio. É também o 11º maior fornecedor de aço ao país no mesmo período, com 2,2% das importações americanas do metal.

    A China não é uma fonte importante de aço para os EUA, mas o governo Trump argumenta que o excesso de capacidade global chinês inunda os mercados de aço e alumínio e as exportações chinesas enfrentam punições por geralmente usarem países como intermediários para depois chegar ao mercado americano. A China produziu no ano passado a metade do aço mundial e 54% do alumínio, segundo dados dos EUA. Fonte: Dow Jones Newswires.

  • Intervenção no Rio não deveria impactar reforma da Previdência

    17/02/2018




    ECONOMIA
    Francisco Carlos de Assis

    Francisco Morato - Para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), a intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro não deveria influenciar na votação da reforma da Previdência porque "uma coisa não tem nada a ver com a outra".

    De acordo com entendimentos de especialistas baseados na própria Constituição Federal Brasileira, porém, enquanto a intervenção vigorar não pode haver alteração na Carta Magna, o que impede a aprovação de qualquer Proposta de Emenda Constitucional (PEC) no Congresso. E a reforma da Previdência, se aprovada, demanda emenda à Constituição.

    Alckmin entende que a PEC não pode ser votada, mas só enquanto a intervenção estiver sendo discutida. "Você só não pode votar a PEC enquanto tiver discutindo a intervenção. Mas a intervenção pode ser aprovada nesta semana", disse o governador, que antes havia afirmado que o PSDB votará favoravelmente à aprovação da intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro.

    Para Alckmin, a intervenção tem que ter um prazo determinado e não pode ser uma exceção e ter caráter permanente. Alckmin deixou Francisco Morato, onde participou de cerimônia que deu início às obras de construção da Nova Estação de Trem Francisco Morato, da Linha-7 Rubi, que liga Jundiaí à Estação da Luz, no centro da capital paulista.